A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30, que acontece em Belém do Pará, tem colocado em evidência a urgência de enfrentar os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde da população. Em carta enviada ao presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) manifestou preocupação com os efeitos negativos que o aquecimento global, as mudanças climáticas e a poluição provocam na saúde, agravando doenças alérgicas e respiratórias. Esse tema será central no 52º Congresso de Alergia e Imunologia, realizado em Goiânia, coincidindo com a semana da COP30.
A presidente da Asbai, Fátima Rodrigues Fernandes, destacou que as doenças tratadas na área de alergia e imunologia sofrem impacto significativo das alterações ambientais. Embora essas doenças tenham caráter genético, a genética sozinha não explica todo o aumento de casos. Fatores ambientais, como mudanças climáticas, aquecimento global e aumento da poluição, alteram as defesas do organismo, levando à inflamação das mucosas respiratórias e da pele, facilitando reações inflamatórias que caracterizam doenças como a asma.
Outras doenças que podem ter sua incidência agravada pelas mudanças climáticas e poluição incluem rinite alérgica, conjuntivite e dermatite atópica. O aumento da poluição eleva a quantidade de material particulado no ar e gases como o dióxido de carbono, além de favorecer a proliferação de alérgenos, como pólens, fungos e ácaros. Catástrofes climáticas recentes, como as enchentes no Rio Grande do Sul, intensificam esses problemas, aumentando a formação de alérgenos e agravando as condições respiratórias.
A Asbai menciona estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que aponta aumento de 60% na incidência de incêndios na Região Norte, espalhando fumaça por todo o país e até para países vizinhos, o que contribui para o aumento da poluição atmosférica e das doenças respiratórias. A fumaça dos incêndios afeta principalmente crianças, idosos, gestantes e comunidades com menos recursos, agravando as condições de saúde de pacientes com doenças respiratórias crônicas, como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica.
A poluição plástica também é uma preocupação crescente. O Brasil é o quarto maior produtor de plástico do mundo, e a contaminação por microplásticos atinge diversos tecidos e órgãos, afetando o sistema imunológico e a saúde da população. O consumo de água contaminada e o contato com produtos plásticos podem levar a alergias alimentares e intolerâncias, além de inflamações que prejudicam a qualidade de vida.
Em situações de emergência climática, como catástrofes naturais, o acesso aos cuidados de saúde para pacientes com doenças crônicas é severamente prejudicado, levando à piora das condições e aumento de emergências e óbitos. Além disso, essas situações têm impacto profundo na saúde emocional de pacientes e profissionais de saúde, que enfrentam estresse intenso diante de situações limítrofes.
A Asbai espera que a COP30 seja uma oportunidade para retomar as negociações do Tratado Global contra a Poluição Plástica, de 2022, e para que sejam efetivadas ações que diminuam os efeitos da poluição e do aquecimento global sobre a saúde da população. A expectativa é que os resultados da conferência sejam aplicáveis e que haja comprometimento dos países participantes em adotar condutas emergenciais para proteger a saúde e o meio ambiente.
O 52º Congresso de Alergia e Imunologia reunirá cerca de duzentos participantes nacionais e internacionais, incluindo entidades globais da especialidade, para discutir essas questões e buscar soluções para os desafios impostos pelas mudanças climáticas à saúde pública.
