Na manhã de domingo, 7 de dezembro de 2025, a Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo, foi alvo de um roubo expressivo de obras de arte que integravam a exposição “Do Livro ao Museu: MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade”. Dois homens armados invadiram o local, renderam uma vigilante e um casal de idosos que visitava a exposição, e furtaram treze gravuras — oito da série “Jazz”, do artista francês Henri Matisse, e cinco da série “Menino de Engenho”, do pintor brasileiro Candido Portinari. As obras, de valor artístico e cultural inestimável, estavam expostas sob parceria com o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) e chegaram a ser colocadas em uma sacola de lona durante a fuga dos criminosos pela saída principal da biblioteca.
Imagens do sistema de monitoramento Smart Sampa registraram a chegada dos suspeitos, a movimentação deles dentro do prédio e a fuga, que ocorreu em um veículo identificado posteriormente pela polícia. As gravações permitiram à polícia identificar um dos homens envolvidos no crime, que foi preso no dia seguinte. A Polícia Civil continua as diligências para capturar o segundo suspeito e recuperar as obras. As investigações são coordenadas pela 1ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco), com o caso registrado no 2º Distrito Policial (Bom Retiro).
A prefeitura de São Paulo enviou um comunicado à Interpol com fotos e informações das gravuras roubadas, numa tentativa de impedir que as peças sejam traficadas para o exterior. As obras também contam com apólices de seguro vigentes, e o local tinha vigilância interna e câmeras de segurança, que auxiliaram na investigação policial.
O roubo gerou grande repercussão na cena cultural, dada a raridade e importância das peças. As gravuras da série “Jazz”, de Matisse, são collages do álbum publicado em 1947, com menos de 300 exemplares existentes no mundo, enquanto as gravuras de Portinari são parte da obra “Menino de Engenho”, tema recorrente em sua produção com forte vinculação à cultura brasileira. A exposição, inaugurada em outubro, tinha o seu último dia justamente no domingo do roubo.
A Secretaria de Cultura e Economia Criativa do município reforçou que toda a ajuda possível vem sendo prestada à Polícia Civil e que a segurança pública na região foi reforçada após o incidente. A ação criminosa foi rápida, não deixando feridos, mas deixou uma lacuna importante no patrimônio cultural da cidade até que as obras sejam recuperadas.
