O deputado Alexandre Ramagem deixou o Brasil de forma clandestina pela fronteira de Roraima com a Guiana e embarcou para os Estados Unidos, onde entrou usando passaporte diplomático, segundo a Polícia Federal, que reconstruiu a rota e investiga o grupo que o auxiliou na fuga, com um homem já preso e identificado como Celso Rodrigo de Mello, filho de Rodrigo Cataratas. [6]
A investigação da Polícia Federal aponta que a saída ocorreu em setembro, no mesmo período em que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julgou e condenou Ramagem a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa, e que ele chegou a Boa Vista (RR) na noite de 9 de setembro antes de seguir clandestinamente até a fronteira por Bonfim rumo a Lethem, na Guiana, sem passar por pontos de fiscalização oficiais[1][2][9].
Segundo a PF, Ramagem embarcou em um voo a partir da Guiana em 11 de setembro e posteriormente foi visto em Miami, na Flórida, onde permanece acompanhado da mulher e das filhas; a entrada nos Estados Unidos foi feita com uso de passaporte diplomático de parlamentar, o que permitiu sua chegada ao país mesmo após decisão do STF que determinava a proibição de deixar o país e a entrega do documento[1][2][5][9].
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a rota de fuga “parece muito clara” e confirmou a prisão, no sábado 13, de um homem que auxiliou Ramagem a escapar; esse preso foi identificado pela investigação como Celso Rodrigo de Mello, e será interrogado nos próximos dias, segundo Rodrigues[6]. A PF também informou que a descoberta da fuga ocorreu semanas depois, durante checagens de rotina sobre a localização dos condenados do chamado núcleo central da tentativa de golpe[13].
A condenação de Ramagem pelo STF decorreu da conclusão de que, como ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), ele instrumentalizou a agência para apoiar a permanência ilegal do então presidente Jair Bolsonaro no poder, usando a estrutura da Abin para espionagem de adversários, produção e disseminação de desinformação sobre o processo eleitoral[6][8]. Após o trânsito em julgado da ação, o relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, determinou o início dos trâmites para execução da pena e solicitou medidas como a formalização do pedido de extradição aos Estados Unidos[10][12][14].
Investigações jornalísticas e comunicados oficiais reconstruíram detalhes do itinerário: voo do Rio de Janeiro para Boa Vista, deslocamento terrestre até Bonfim, travessia fluvial até Lethem e embarque em voo internacional para Miami[1][2][9]. Fontes investigativas e reportagens indicam que o uso do passaporte diplomático não gerou alerta automático em sistemas estrangeiros porque a difusão de medidas como mandado de prisão e eventual difusão vermelha da Interpol dependem de procedimentos formais que só passaram a avançar depois que a situação foi confirmada[11].
Com o parlamentar foragido nos EUA e o processo de extradição em curso, autoridades brasileiras seguirão as diligências previstas: formalizar o pedido de extradição ao governo norte-americano com a documentação exigida, aprofundar as investigações sobre a rede que facilitou a fuga e ouvir os presos identificados no inquérito[10][12][6].
Fontes: reportagem da Agência Brasil com declarações da Polícia Federal; matérias da TV Globo (G1), MancheteRio, Rádio Pampa, Veja, CartaCapital e outros veículos que acompanharam a investigação e a tramitação judicial[6][2][1][9][4][10].
