Haddad defende parcerias para reestruturação dos Correios

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu nesta quinta-feira que os Correios devem permanecer sob controle estatal, mas precisam firmar parcerias com empresas públicas e privadas para aumentar as receitas e garantir sustentabilidade. Ele destacou a capilaridade da estatal, presente em praticamente todos os municípios do país, como um atrativo para novos negócios, com interessados como a Caixa Econômica Federal, que poderia oferecer serviços financeiros, incluindo seguros e previdência, nas agências dos Correios.

A situação financeira da empresa se agravou nos últimos anos, com prejuízos que passaram de R$ 633 milhões em 2023 para R$ 2,6 bilhões em 2024. Entre janeiro e setembro de 2025, o déficit acumulado chegou a R$ 6 bilhões, com estimativa de fechar o ano em até R$ 10 bilhões negativos. Inicialmente, os Correios solicitaram um empréstimo de até R$ 20 bilhões, mas a primeira proposta de bancos, com juros de 136% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), foi descartada pelo Tesouro Nacional, que fixou um teto de 120% do CDI para qualquer garantia. Agora, discute-se um empréstimo de R$ 12 bilhões com um pool de bancos como Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Santander e Itaú, com decisão esperada até esta sexta-feira.

Haddad explicou que o Ministério da Fazenda só acessou uma “radiografia correta” da crise após a troca da diretoria em setembro, com Emmanoel Schmidt Rondon assumindo a presidência. Uma equipe dedicada elabora um plano de recuperação, incluindo uma “linha do tempo” para mapear as decisões que levaram ao problema. “Está tudo na mesa sobre soluções para a reestruturação. Não é empréstimo para empurrar com a barriga, é para resolver”, afirmou o ministro, enfatizando que recursos visam reorganização estrutural, não adiamento da crise. O plano prevê medidas como fechamento de agências, venda de imóveis e programa de demissão voluntária para até 15 mil trabalhadores até 2027.

O ministro argumentou que o serviço postal exige universalização, o que não se sustenta só com tarifas, mesmo em países liberais como Estados Unidos e nações europeias, onde estatais agregam outras atividades para viabilidade. “A tarifa não paga uma carta que sai do Rio Grande do Sul para o Amazonas. Empresas privadas pegam o filé mignon”, disse, defendendo parcerias como caminho promissor após a reestruturação.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a posição, negando privatização. “Enquanto eu for presidente, não vai ter privatização. Pode ter parceria, economia mista, mas privatização não vai ter”, declarou, citando modelo semelhante ao da Petrobras, com controle acionário estatal. Lula atribuiu parte dos problemas a gestão equivocada e destacou mudanças na direção para recuperação, lamentando a crise e enfatizando a importância estratégica dos Correios.

Haddad mencionou aportes diretos como descartados por ora, mas cogitados abaixo de R$ 6 bilhões se necessário, dentro das regras fiscais e condicionados ao plano aprovado pelo Tesouro. Ele também esclareceu confusões contábeis em estatais, como aportes para investimentos registrados como despesas, citando o sistema do Serpro para a reforma tributária, essencial e avaliado em R$ 2 bilhões. Sobre a Eletronuclear, negou situação típica, atribuindo-a a imbrólios da privatização da Eletrobras. Nas próximas semanas, o governo deve apresentar ao presidente uma solução estrutural para os Correios.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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