Uma intensa onda de calor assola o Centro-Sul do Brasil desde o início da semana de Natal, elevando as temperaturas em cerca de 5°C acima da média histórica em oito estados das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. O Instituto Nacional de Meteorologia emitiu alerta vermelho, o de maior gravidade, válido até a próxima segunda-feira, 29 de dezembro, indicando grande perigo com persistência do calor por mais de cinco dias e alto risco à saúde, à vida, a danos materiais e acidentes.
As áreas mais afetadas incluem Rio de Janeiro e São Paulo, inteiramente abrangidos pelo aviso, além do norte do Paraná, com regiões de Londrina e Curitiba; sul de Minas Gerais, englobando Uberaba, Varginha e Juiz de Fora; leste de Mato Grosso do Sul, como Três Lagoas; e sul do Espírito Santo, na zona de Cachoeiro de Itapemirim. No Rio de Janeiro, os termômetros alcançaram 41°C, levando a prefeitura a ativar o nível 3 de calor em uma escala até 5. Em São Paulo, a capital registrou 35,9°C no dia 25 de dezembro, o maior valor para o mês desde o início das medições oficiais, superando o recorde anterior de 1998.
Esse episódio prolongado diferencia-se de picos isolados típicos do verão pela continuidade das altas temperaturas, inclusive à noite e na madrugada, dificultando a recuperação térmica do corpo humano. A causa principal é uma massa de ar quente e seco sobre o Centro-Sul, reforçada pela Alta Subtropical do Atlântico Sul, que atua como bloqueio atmosférico, intensificado pelas mudanças climáticas induzidas pelo homem. Em áreas urbanas, o efeito ilha de calor agrava a situação, com edifícios, concreto e asfalto retendo o calor.
Os riscos à saúde são elevados, especialmente para idosos, crianças, pessoas com problemas renais, cardíacos, respiratórios, circulatórios, diabéticos, gestantes e população em situação de rua. Sintomas de alerta incluem transpiração excessiva, fraqueza, tontura, náuseas, dor de cabeça, cãibras musculares e diarreia. Em casos graves, pode ocorrer falência térmica, uma emergência médica com confusão mental, pele quente e seca e temperatura corporal acima de 40°C, conforme explica o clínico geral Luiz Fernando Penna, coordenador do Pronto Atendimento do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Autoridades recomendam hidratação constante, roupas leves, evitar atividades ao ar livre nos horários mais quentes do dia e refeições leves. Em emergências, procure a unidade de saúde mais próxima ou acione a Defesa Civil pelo 199. No Vale do Paraíba e regiões vizinhas, como São José dos Campos (máxima de 36°C prevista para sábado), Taubaté (38°C) e outras cidades, o alerta vermelho persiste, reforçando a necessidade de precaução.
