O governo do estado de São Paulo emitiu um alerta urgente pedindo à população que reduza imediatamente o consumo de água, diante do aumento de até 60% no uso registrado nos últimos dias devido às altas temperaturas e à estiagem prolongada. Essa pressão sobre o sistema de distribuição tem causado interrupções pontuais no fornecimento, especialmente em bairros de áreas altas da Região Metropolitana, onde a pressão da rede é menor, enquanto as regiões baixas seguem abastecidas normalmente.
A companhia Sabesp, responsável pelo abastecimento, registrou um expressivo salto na demanda: em dias de temperatura normal, como na semana passada, produz cerca de 66 mil litros de água por segundo, mas nos últimos dias precisou elevar a produção para 72 mil litros por segundo, demandando ajustes operacionais constantes. Nas redes sociais, como o perfil da empresa no X (antigo Twitter), multiplicam-se reclamações de moradores de todas as zonas da capital paulista e até de regiões como o Vale do Paraíba, que relatam falta de água em suas residências.
O pedido oficial é por um uso consciente da água, com banhos mais rápidos – de no máximo cinco minutos, que podem economizar até nove mil litros por mês por família –, e a proibição de desperdícios em atividades não essenciais, como encher piscinas, lavar calçadas ou carros. “O uso da água deve ser priorizado para alimentação e higiene pessoal. A colaboração da população é fundamental para garantir a regularidade do abastecimento”, enfatiza o alerta governamental.
A crise é agravada pela falta de chuvas nos últimos meses, que deixou os mananciais em níveis críticos: o Sistema Cantareira, por exemplo, opera próximo ou abaixo de 20% de sua capacidade, e os reservatórios da Grande São Paulo estão em torno de 26%. Desde agosto, o governo estadual, em parceria com a Arsesp, determinou a redução da pressão noturna na região metropolitana para preservar os recursos, e a Sabesp reforça o atendimento com caminhões-pipa em áreas específicas. A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, reforçou que “o uso consciente deve fazer parte da rotina das famílias, principalmente neste período de escassez severa”.
Enquanto o predomínio de sol e calor intenso persiste, o governo monitora a situação e planeja respostas a eventuais chuvas fortes previstas, mas insiste na importância da adesão coletiva para evitar colapsos maiores no abastecimento em todo o estado.
