Ex-diretor da PRF levou pitbull e sacos de ração em fuga para Paraguai

Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, foi preso nesta sexta-feira no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, no Paraguai, ao tentar embarcar para El Salvador com um passaporte falso de um cidadão paraguaio. Condenado a 24 anos e seis meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal por integrar o núcleo 2 da trama golpista, com participação em organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e fraude eleitoral nas eleições de 2022, ele cumpria prisão domiciliar em São José, Santa Catarina, sob uso de tornozeleira eletrônica.

A fuga começou na véspera de Natal, por volta das 19h22, quando Vasques rompeu o dispositivo de monitoramento e deixou sua residência em um carro possivelmente alugado. Imagens de câmeras de segurança do condomínio capturaram o momento em que ele carregou bolsas no porta-malas, colocou ração e diversos sacos de tapetes higiênicos no banco de trás e, por fim, conduziu um cachorro da raça pitbull até o veículo, junto com potes de comedouros. A Polícia Federal relatou que ele seguiu de São José até Assunção, com plano de escalar no Panamá rumo a El Salvador, alegando em documentos falsos um tratamento médico no destino final.

Ao ser abordado no aeroporto paraguaio, Vasques mudou o penteado para disfarçar, mas inspetores de migração identificaram irregularidades no passaporte de Júlio Eduardo, dono verdadeiro do documento. Uma verificação conjunta com o Ponto Atenas Paraguai, Rede de Inteligência Migratória e Comando Tripartite confirmou sua identidade, inclusive por uma pinta no pescoço. Sem saída, ele confessou o plano. A Direção Nacional de Migração do Paraguai deteve-o com apoio da Polícia Nacional local.

Após a falha no sinal da tornozeleira ser detectada na madrugada de Natal, a Polícia Federal acionou alertas nas fronteiras. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou imediatamente a prisão preventiva de Vasques, convertendo as medidas cautelares anteriores, ao avaliar que as imagens e diligências comprovavam a intenção de driblar ordens judiciais. Algemado e com capuz na cabeça, conforme procedimento paraguaio para expulsões, ele foi levado de carro de Assunção até um posto de controle imigratório na Ponte da Amizade, em Cidade do Leste, para entrega à Polícia Federal brasileira em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Não há informações sobre o estado atual do cachorro deixado para trás. O advogado de Vasques informou que ainda não tem detalhes da prisão, enquanto a defesa avalia recursos como embargos infringentes contra a condenação, que ainda não transitou em julgado. Vasques havia sido preso em agosto de 2023 por suspeita de uso da PRF para interferir no segundo turno das eleições de 2022, com barreiras no Nordeste para atrapalhar eleitores.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

Leia mais