O projeto Pacha (Análise Participativa para Adaptação Climática e Saúde em Comunidades Urbanas Desfavorecidas no Brasil) vai envolver três universidades brasileiras em parceria com a Universidade de Glasgow para estudar e propor formas de reduzir os impactos das mudanças climáticas nas favelas de Curitiba (PR), Natal (RN) e Niterói (RJ) até 2027.[3][9] O financiamento excede R$ 14 milhões e vem da fundação britânica Wellcome Trust, e o projeto será coordenado pelo cientista João Porto de Albuquerque, diretor do Urban Big Data Centre da Universidade de Glasgow.[3][9]
O consórcio inclui a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) pelo Programa de Pós‑Graduação em Gestão Urbana, a Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), além de instituições brasileiras de pesquisa em saúde como o CIDACS/Fiocruz que também integra a iniciativa.[3][5][13] A abordagem do Pacha é transdisciplinar e participativa: pretende criar Laboratórios Urbanos Participativos nas comunidades alvo, combinando dados climáticos e de saúde e incorporando conhecimentos locais para produzir evidências que informem políticas públicas e planos municipais de adaptação climática.[1][9][5]
Os pesquisadores destacam que dados oficiais costumam refletir mais a cidade formal do que as favelas, por isso o projeto prioriza a construção coletiva de bases de dados com moradores para revisar e reorientar planos de ação climática municipais.[3][1] A pesquisa adotará uma lente interseccional sensível a diferenças de gênero, raça e idade, buscando identificar vulnerabilidades e capacidades já existentes nas comunidades para promover respostas de saúde mais equitativas frente à crise climática.[9][1]
Está prevista a publicação, a partir de janeiro de 2026, de um edital com bolsas de pesquisa que incluem vagas destinadas a moradores das próprias comunidades, com a intenção de formar pesquisadores comunitários que possam engajar seus territórios e perpetuar capacidades locais após o término do projeto.[3][3] O edital deverá oferecer bolsas de doutorado, pós‑doutorado e bolsas vinculadas a pesquisadores comunitários oriundos das favelas de Curitiba, Natal e Niterói.[3]
Com a escolha das três cidades, o projeto poderá abordar contextos climáticos distintos — o que favorece a geração de evidências aplicáveis a diferentes realidades urbanas brasileiras — e trabalhar em parceria com agências governamentais e associações de moradores para cocriar intervenções orientadas à ação e à implementação de medidas de adaptação municipal.[1][5][9]
A previsão operacional do Pacha é de trabalhos até 2027, com ênfase em produzir dados e propostas que possam ser incorporadas aos planos de adaptação e mitigação das mudanças climáticas já exigidos dos municípios brasileiros, e em fortalecer a voz e a capacidade técnica das populações periféricas na formulação dessas políticas.[3][9][1]
