A Polícia Civil de São Paulo deflagrou a operação Ano Novo, Vida Nova para cumprir mandados de prisão contra agressores em casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. A ação, que começou na segunda-feira com a execução de 225 mandados em todo o estado, mobilizou 1,7 mil policiais civis e mais de mil viaturas distribuídas por todo o território paulista, sob coordenação da Secretaria da Segurança Pública e da Secretaria de Políticas para a Mulher.
Além das Delegacias de Defesa da Mulher, a operação envolve todos os Departamentos de Polícia Judiciária do Interior e as seccionais do Departamento de Polícia Judiciária da Capital. “É a resposta para os agressores que imaginavam que poderiam ficar na impunidade”, afirmou a delegada Cristiane Braga, coordenadora das DDMs atuantes na força-tarefa. O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, reforçou que “a prisão de agressores é uma medida fundamental para preservar vidas, garantir dignidade e demonstrar que o Estado atua de forma firme e coordenada contra a violência doméstica”. Já a secretária Adriana Liporoni, da pasta de Políticas para a Mulher, destacou o objetivo de “encerrar o ano com mais vidas protegidas, porque cada agressor capturado significa mais uma família livre da violência”.
A iniciativa ocorre em meio ao aumento de feminicídios na capital paulista, que em 2025 registrou o maior número anual desde o início da série histórica, em abril de 2015. O crime de feminicídio, considerado hediondo no Brasil, é caracterizado pelo homicídio de mulher por razões de gênero, frequentemente ligado a violência doméstica, menosprezo ou discriminação à condição feminina, com pena de reclusão de 12 a 30 anos quando qualifica o homicídio. Ele representa a expressão máxima da violência de gênero, muitas vezes culminando um histórico de agressões motivadas por ódio, inferiorização ou posse.
Um caso que ganhou repercussão ilustra a gravidade do problema: no final de novembro, Tainara Souza Santos, de 31 anos, foi arrastada por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê, presa ao veículo do agressor, que mutilou severamente suas pernas. Socorrida e submetida a cirurgias, ela faleceu na noite de 24 de dezembro, deixando dois filhos. O autor, Douglas Alves da Silva, preso no dia seguinte após investigações da Polícia Civil, mantinha um relacionamento breve com a vítima, que ele não aceitava terminar. O delegado Fernando Barbosa Bossa, responsável pelo caso, classificou o atropelamento como tentativa de feminicídio, “sem possibilidade de defesa da vítima e com requintes de crueldade”, motivado por “sensação de posse, em total desprezo à condição de gênero e de mulher”.
