Nesta terça-feira, a Polícia Federal colhe depoimentos cruciais no Supremo Tribunal Federal, em Brasília, sobre a fraude bilionária envolvendo o Banco Master. Às 14h, serão ouvidos o dono do banco, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, em inquérito que apura negociações suspeitas na tentativa de venda do Master ao BRB.
Os depoimentos, determinados pelo ministro Dias Toffoli, ocorrem individualmente no prédio do STF e fazem parte de investigação sigilosa sobre a proposta de aquisição do banco privado pelo banco público do Distrito Federal. O BRB tentou comprar o Master pouco antes de o Banco Central decretar sua falência extrajudicial, em novembro, apesar de suspeitas sobre a viabilidade do negócio. Em março, o BRB anunciou a intenção de pagar R$ 2 bilhões pela instituição, equivalentes a 75% de seu patrimônio consolidado, o que gerou desconfiança no mercado, na imprensa e no meio político devido à atuação questionável do banco de Vorcaro.
Vorcaro e Costa foram alvos da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro pela PF a partir de investigações iniciadas em 2024 a pedido do Ministério Público Federal. A operação combate a emissão de títulos de crédito falsos, com fraudes estimadas em até R$ 17 bilhões. O Banco Master é o principal foco, suspeito de criar operações fictícias de empréstimos e valores a receber, negociando essas carteiras com outros bancos e substituindo ativos fraudulentos por outros sem avaliação técnica adequada após aprovação contábil do BC. Antes da formalização da venda ao BRB, o Master teria forjado e vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos consignados, incluindo contratos falsos e valores inflados, adquirindo ativos de uma empresa chamada Tirreno sem pagamento real e revendendo-os ao BRB por R$ 12 bilhões.
Paulo Henrique Costa foi afastado temporariamente da presidência do BRB por decisão judicial. Inicialmente, Toffoli cogitou uma acareação entre os envolvidos para confrontar versões contraditórias, mas optou por depoimentos individuais, deixando a acareação para uma eventual decisão da PF em caso de inconsistências. O depoimento de Aquino, embora como testemunha e não investigado, foi destacado por Toffoli como de especial relevância, dada a função do BC na fiscalização do mercado financeiro.
As defesas de Vorcaro e Costa informaram que não se manifestarão antes das oitivas, citando o sigilo do processo. O Banco Central também não comentou o depoimento de seu diretor. O BRB, em nota, reiterou que atuou em conformidade com normas de compliance e transparência, prestando informações regulares ao MPF e ao BC sobre as negociações. A liquidação do Master foi recomendada pela Diretoria de Fiscalização do BC devido a problemas de liquidez, falta de depósitos compulsórios e linhas de crédito emergenciais, com decisão final unânime da diretoria colegiada da autarquia.
