Em assembleia realizada nesta terça-feira, os petroleiros do Norte Fluminense decidiram suspender a greve que durava 16 dias e aceitar a contraproposta da Petrobras para o Acordo Coletivo de Trabalho. A categoria seguiu o indicativo do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), maior entidade representativa do setor no país e filiada à Federação Única dos Petroleiros (FUP).
Durante o encontro, os trabalhadores também aprovaram a manutenção do estado de assembleia permanente e do estado de greve, como garantia para o cumprimento das cartas-compromisso enviadas pela empresa ao sindicato. Além disso, foi autorizado o desconto assistencial de 1% do salário líquido, a ser cobrado em três parcelas.
O coordenador-geral do Sindipetro-NF e diretor da FUP, Sérgio Borges, avaliou a decisão como o melhor caminho no momento atual. Ele destacou que a contraproposta trouxe avanços significativos, comprovando mais uma vez que a luta organizada gera resultados concretos. A mobilização, iniciada em 15 de dezembro, assegurou compromissos com demandas históricas da região, como melhorias na cláusula da folga suprimida e a garantia de que não haverá punições, transferências ou mudanças de regime para os grevistas.
Entre as conquistas, Borges mencionou a neutralização dos dias de greve, o pagamento do dia de desembarque como hora extra, a criação do Auxílio Mercado e a complementação do Auxílio Deslocamento. Outros ganhos incluem a reavaliação de desimplantes injustos, compromissos com a incorporação de trabalhadores em Cabiúnas e avanços nos Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs), relacionados à previdência complementar da Petros.
Para o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, o principal êxito foi romper a resistência da gestão da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, perante o governo Lula. A greve demonstrou a força de mobilização da categoria, com progressos nos eixos do Acordo Coletivo, no fim dos PEDs e na pauta pelo Brasil Soberano. Bacelar reconheceu que nem tudo foi atendido, mas enfatizou a necessidade de reagrupamento para negociações futuras em 2026, como Participação nos Lucros e Resultados (PLR), novo plano de cargos e salários e resolução dos PEDs no Tribunal de Contas da União. Esses planos impõem contribuições extraordinárias elevadas aos participantes para equilibrar o déficit atuarial.
Do lado da Petrobras, a empresa informou que 12 sindicatos já aprovaram a proposta, encerrando a greve na maior parte das bases. Outras deliberações ocorrem ao longo do dia. Para os sindicatos que resistem, a estatal acionou dissídio coletivo de greve no Tribunal Superior do Trabalho (TST), que determinou em liminar a manutenção de 80% dos trabalhadores em atividade e proibiu obstruções em áreas operacionais, portos e aeroportos. Segundo a companhia, as paralisações não afetaram a produção, e o abastecimento ao mercado segue normal, com equipes de contingência atuando onde necessário. O Sindipetro-NF foi o último dos 13 sindicatos ligados à FUP a aprovar o fim da paralisação, enquanto bases da Federação Nacional dos Petroleiros aguardam julgamento no TST.
