Sem provas, Rubio acusa Maduro de chefiar organização narcoterrorista

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, acusou publicamente o presidente venezuelano Nicolás Maduro de chefiar o Cartel de los Soles, uma suposta organização narcoterrorista que teria tomado o controle do país. Em postagem no X, antigo Twitter, Rubio afirmou que Maduro não é o presidente legítimo da Venezuela e que ele está indiretamente acusado de traficar drogas para os Estados Unidos, reforçando declarações anteriores do governo americano sobre o tema.

A declaração de Rubio veio logo após o presidente Donald Trump anunciar, também nas redes sociais, o sucesso de um ataque em larga escala dos Estados Unidos contra a Venezuela. Trump revelou que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados em uma operação conjunta com autoridades policiais americanas e retirados do país, prometendo mais detalhes ao longo do dia. A ação marca uma escalada sem precedentes na pressão exercida pelo governo Trump contra o regime chavista, que já vinha sendo alvo de sanções e recompensas milionárias por sua suposta liderança no tráfico de drogas.

A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, confirmou o indiciamento de Maduro e Flores no Distrito Sul de Nova York, com acusações graves como conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, além de conspiração para posse dessas armas contra os Estados Unidos. Bondi destacou que os réus enfrentarão a justiça americana em tribunais dos EUA, sem entrar em detalhes sobre as provas específicas contra Flores. O Departamento de Estado já havia designado o Cartel de los Soles como organização terrorista estrangeira, com uma recompensa de até 50 milhões de dólares por informações que levem à captura de Maduro, valor que foi elevado progressivamente nos últimos anos.

O Cartel de los Soles, segundo as autoridades americanas, surgiu durante o governo de Hugo Chávez, em 1999, e se consolidou como uma rede criminosa infiltrada nas Forças Armadas, inteligência, Legislativo e Judiciário venezuelanos. Os EUA alegam que Maduro liderou o grupo desde sua criação, facilitando a exportação de toneladas de cocaína para os Estados Unidos via rotas marítimas e aéreas no Caribe e Honduras, em parceria com as Farc colombianas. O Departamento de Justiça descreve o cartel como uma ameaça direta à segurança nacional americana, responsável por inundar o país com drogas e desestabilizar a sociedade.

Do lado venezuelano, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, reagiu com veemência, rejeitando a presença de tropas estrangeiras e classificando o ataque como vil e covarde. Ele pediu ajuda internacional e mencionou bombardeios recentes dos EUA contra barcos no Caribe, que resultaram na morte de dezenas de tripulantes. Legisladores democratas americanos e juristas criticaram a operação como possível violação do direito internacional, enquanto figuras como o vice-secretário de Estado Christopher Landau celebraram o fim do “tirano”, prevendo um novo amanhecer para a Venezuela.

A captura de Maduro representa um ponto de inflexão para o país, que enfrenta anos de crise econômica, eleições contestadas e repressão. Trump também sinalizou interesse nas reservas de petróleo venezuelanas, afirmando que os EUA estarão fortemente envolvidos na indústria petrolífera local. A operação ocorre em meio a uma mobilização militar americana na região, com ataques prévios a embarcações ligadas a narcotraficantes, intensificando as tensões hemisféricas.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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