# Venezuela: Delcy Rodríguez assume presidência interina após captura de Maduro
Delcy Rodríguez foi empossada nesta segunda-feira como presidente interina da Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em operação militar realizada no sábado. Em seu juramento perante a Assembleia Nacional, Rodríguez afirmou: “Venho com dor pelo sequestro de dois heróis que temos como reféns nos Estados Unidos. Venho também com honra jurar em nome de todos os venezuelanos.”
A designação de Rodríguez ocorreu após decisão da Suprema Corte venezuelana, que determinou sua assunção à presidência por 90 dias, prazo este que poderá ser estendido. Como vice-presidente de Maduro, ela era a primeira na linha de sucessão constitucional. Tanto o Exército quanto a Assembleia Nacional reconheceram Rodríguez como chefe de Estado, consolidando sua transição ao poder.
Durante a madrugada do 3 de janeiro, os Estados Unidos realizaram bombardeios contra instalações militares venezuelanas. Horas depois, o presidente Donald Trump declarou que os EUA haviam capturado Maduro e sua esposa, Cilia Flores, removendo-os do país. Trump afirmou posteriormente que os Estados Unidos “gobernarão” a Venezuela enquanto se processa uma transição de poder, estabelecendo assim um cenário de controle direto sobre as instituições do país.
Rodríguez, advogada trabalhista de 56 anos com fortes ligações ao setor privado, tomou posse perante seu irmão Jorge, presidente da Assembleia Nacional. Ambos são filhos de um líder revolucionário que foi torturado e morto pelo governo venezuelano na década de 1970. Ela é a primeira mulher a assumir o cargo executivo supremo na história da Venezuela.
Imediatamente após sua posse, Rodríguez presidiu uma reunião do Consiglio de Defesa Nacional no Palácio de Miraflores, onde denunciou que a operação militar estadunidense visa a um mudança de regime e ao controle das riquezas naturais venezuelanas. Exigiu “a libertação imediata” de Maduro, descrevendo-o como “o único presidente da Venezuela”, e condenou a intervenção militar dos Estados Unidos como uma violação da soberania nacional.
Maduro e Cilia Flores já compareceram em tribunal em Nova York, onde enfrentam acusações de tráfico de droga. Os promotores não solicitaram sua libertação mediante caução, e a próxima audiência foi marcada para 17 de março.
A situação geopolítica complexa reflete décadas de tensão entre Washington e Caracas. Trump havia assinado ordem em agosto autorizando uso de força militar contra cartéis de droga latino-americanos e duplicou a recompensa pela captura de Maduro para 50 milhões de dólares, a maior oferecida na história estadunidense. O presidente também exigiu a devolução de recursos nacionalizados de petróleo e terras que, segundo sua perspectiva, haviam sido confiscados de corporações americanas pelo governo de Hugo Chávez em 2007.
Também nesta segunda-feira, 283 parlamentares eleitos em maio tomaram posse. A primeira-dama Cilia Flores foi a única parlamentar ausente, encontrando-se sob custódia dos Estados Unidos. Grande parte da oposição, especialmente a liderada pelo ganhador do Prêmio Nobel Edmundo González Urrutia, boicotou o pleito, deixando uma maioria parlamentar nas mãos de apoiadores do governo chavista.
A comunidade internacional permanece dividida diante dos eventos. Enquanto alguns celebram o fim do governo Maduro, críticos denunciam a ação estadunidense como uma forma contemporânea de intervencionismo imperialista na América Latina, buscando assegurar controle sobre os vastos recursos petrolíferos e minerais da Venezuela.
