Saiba quem é Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela

Delcy Rodríguez, advogada de 56 anos formada pela Universidade Central da Venezuela, assumiu nesta segunda-feira a presidência interina do país após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos em uma operação militar. Nascida em Caracas em 18 de maio de 1969, ela é filha de Jorge Antonio Rodríguez, um guerrilheiro de esquerda torturado e morto pelo governo venezuelano nos anos 1970, e irmã de Jorge Rodríguez, atual presidente da Assembleia Nacional, perante quem prestou o juramento de posse.

Escolhida por Maduro como vice-presidente em junho de 2018, Delcy foi descrita pelo líder chavista como uma “tigre” corajosa, revolucionária e filha de um mártir, destacando sua lealdade inabalável ao chavismo. Na Venezuela, diferentemente do Brasil, o vice-presidente não é eleito em chapa, mas nomeado pelo presidente, podendo ser substituído a qualquer momento. Além do cargo vice-presidencial, ela acumulava funções como ministra da Economia, ministra do Petróleo desde agosto de 2024 – após a prisão de diretores da estatal PDVSA por corrupção – e presidente da PDVSA, a principal empresa do país, essencial para a economia dependente do ouro negro apesar das sanções internacionais.

Sua formação acadêmica inclui pós-graduação em Direito Social pela Universidade de Paris e mestrado em Política Social pela Universidade de Birkbeck, em Londres. Ao longo da carreira, Delcy ocupou postos chave no governo chavista: ministra das Comunicações e Informação entre 2013 e 2014, primeira mulher a ser ministra das Relações Exteriores de 2014 a 2017 – período em que tentou invadir uma reunião do Mercosul em Buenos Aires após a suspensão do Venezuela – e presidente da Assembleia Nacional Costituinte filogoverno de 2017 a 2018, que ampliou os poderes de Maduro. Ela também preside o Movimiento Somos Venezuela, aliado do PSUV na coalizione governista.

A Suprema Corte de Justiça, controlada pelos chavistas, ordenou que Delcy exerça todos os atributos, deveres e poderes presidenciais por 90 dias, prazo prorrogável, para garantir a continuidade administrativa e a defesa da nação, sem declarar formalmente a destituição de Maduro. Em seu discurso de posse, a nova presidente interina expressou dor pelo “sequestro de dois heróis” – referindo-se a Maduro e à primeira-dama Cilia Flores, sob custódia dos EUA – e acusou Washington de violar a soberania venezuelana, reafirmando Maduro como o “único presidente legítimo”. Ela convocou o Conselho de Defesa Nacional e negou contatos com os EUA, apesar de rumores de canais secretos e possível pragmatismo em negociações sobre petróleo.

Sob sanções dos Estados Unidos, União Europeia e Canadá por seu papel na repressão ao dissenso, Delcy emerge como figura de continuidade do regime em um momento de incerteza, com 283 parlamentares empossados no mesmo dia – a maioria chavista, após boicote da oposição liderada por Maria Corina Machado, ganhadora do Nobel e descartada por Washington. A transição imposta pelos EUA, que anunciaram intenção de gerir o país até uma mudança democrática, enfrenta resistência ferrenha de Caracas, que vê na liderança interina uma defesa intransigente da revolução bolivariana.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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