Conheça os enredos das escolas do Grupo Especial do Rio em 2026

ito das doze escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro apostarão em enredos biográficos para o Carnaval de 2026, trazendo à Marquês de Sapucaí a história de personalidades marcantes das artes, da música e da política. Esses desfiles prometem exaltar o pioneirismo dessas figuras na criação de novos padrões estéticos, na valorização da cultura negra e na luta contra preconceitos, transformando a passarela em um palco de memória e resistência cultural.

Entre os homenageados, a Unidos de Vila Isabel abrirá alas para Heitor dos Prazeres, compositor, cantor e pintor que ajudou a fundar as primeiras escolas de samba, como Mangueira, Portela e União do Estácio. Nascido em 1898 na Praça Onze, berço do samba carioca, ele compôs sucessos como “Pierrô Apaixonado”, em parceria com Noel Rosa, e “Não Adianta Chorar”, que levou a Portela à primeira vitória em concurso oficial de escolas, em 1929. Viúvo em 1936, Heitor mergulhou na pintura, retratando com traços naïf a vida nas favelas, rodas de samba, festas de rua e a boemia da Lapa, ganhando medalha de prata na primeira Bienal de São Paulo, em 1951, com a obra “Moenda”.

A Imperatriz Leopoldinense dedicará seu desfile ao cantor Ney Matogrosso, ícone da música brasileira conhecido por sua ousadia estética e performances transgressoras. Já a Mocidade Independente de Padre Miguel celebrará Rita Lee, a rainha do rock nacional, compositora e voz irreverente que revolucionou a cena musical com hits eternos e críticas sociais afiadas. A Unidos da Tijuca trará à tona Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras escritoras negras do Brasil, autora de “Quarto de Despejo”, que denunciou a miséria nas favelas de São Paulo e se tornou referência na luta contra o racismo e a exclusão.

Não faltará espaço para gigantes do samba: a Estação Primeira de Mangueira homenageará o curandeiro amapaense Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca, guardião de saberes ancestrais; a Portela, o líder religioso Custódio Joaquim de Almeida, o Príncipe Custódio do Bará; o Salgueiro, a carnavalesca Rosa Magalhães; e os Acadêmicos do Viradouro, o mestre de bateria Moacyr da Silva Pinto, o Ciça, bicampeão com a agremiação. Completando a lista biográfica, os Acadêmicos de Niterói desfilarão em louvor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os quatro enredos restantes mergulham nas raízes afro-brasileiras: o Paraíso do Tuiuti explorará a religião Santeria com “Lonã Ifá Lukumi”; a Beija-Flor de Nilópolis, o Bembé do Mercado, manifestação do Recôncavo Baiano; os Acadêmicos do Grande Rio, “A Nação do Mangue”; e a Vila Isabel, com “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África”, entrelaçando a trajetória de Heitor dos Prazeres à herança africana.

Os desfiles acontecerão de 15 a 17 de fevereiro na Sapucaí, divididos em três noites: domingo com Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira; segunda com Mocidade, Beija-Flor, Viradouro e Tijuca; e terça com Tuiuti, Vila Isabel, Grande Rio e Salgueiro. Especialistas veem nesses temas um papel educativo profundo. O sociólogo Rodrigo Reduzino lembra que as escolas, desde 1928, dão voz às narrativas não oficiais, misturando política e cultura. A historiadora Nathalia Sarro, da Vila Isabel, destaca como esses enredos educam, forjam identidades e emocionam, resgatando histórias esquecidas para ninar “gente grande”, como versos clássicos do samba-enredo celebram.

O público já pode se preparar nos ensaios técnicos gratuitos, de final de janeiro a início de fevereiro, na própria Sapucaí, com datas por grupo de escolas. Assim, o Carnaval de 2026 reforça o samba como espelho da alma brasileira, honrando quem ousou sonhar e transformar.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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