Palco histórico de manifestações políticas, a Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, reuniu centenas de pessoas na tarde de segunda-feira em protesto contra o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. O ato ocorreu dois dias após tropas dos Estados Unidos atacarem a capital Caracas, no sábado, e levarem o casal à força para uma prisão em Nova York.
A manifestação foi organizada pela Frente de Esquerda Anti-imperialista em Solidariedade à Venezuela, coalizão formada por cerca de 50 entidades, incluindo movimentos sociais como a Frente Povo Sem Medo e a Frente Brasil Popular. Os participantes denunciaram a ação como uma invasão imperialista, com palavras de ordem contra os Estados Unidos, queima simbólica de bandeiras americanas e apelos pela soberania venezuelana.
O presidente norte-americano Donald Trump anunciou o ataque e a captura na manhã de sábado, acusando Maduro de narcoterrorismo, venda de drogas para os EUA, posse e conspiração para obter armas automáticas. Em audiência no tribunal de Nova York na própria segunda-feira, Maduro se declarou inocente de todas as charges e afirmou ser um prisioneiro de guerra. Críticos da operação, como manifestantes no Rio, veem as acusações como pretexto para controlar as vastas reservas de petróleo da Venezuela, estimadas em mais de 300 bilhões de toneladas.
No ato carioca, venezuelanos residentes no Brasil expressaram indignação. O estudante de mestrado Ali Alvarez, de 31 anos, há oito anos no país e aluno de pós-graduação em tecnologia para o desenvolvimento social na Universidade Federal do Rio de Janeiro, mostrou a Constituição Bolivariana e declarou não esperar tamanha violência. “Representa uma violência ao povo venezuelano e à nossa Constituição. Espero que haja uma resistência cidadã forte por nossa soberania. O problema da colonização, neste momento feroz e brutal, demanda uma ação coletiva interamericana e global frente ao fascismo”, afirmou à Agência Brasil.
O brasileiro Daniel Iliescu, presidente estadual do PCdoB, reforçou a necessidade de reação internacional. “Esperamos que a sociedade civil na América Latina, os organismos internacionais e governos democráticos de todo o mundo possam reagir e reverter essa situação de instabilidade. Está aberta uma nova etapa na história do mundo, em que o multilateralismo se enfraquece em detrimento da força unilateral”, avaliou, criticando a postura beligerante de Trump como sinal de decadência dos Estados Unidos.
A mobilização na Cinelândia faz parte de uma onda de protestos em várias cidades brasileiras e no exterior, em defesa da autodeterminação dos povos latino-americanos e contra o que os organizadores chamam de ameaça imperialista à região.
