O ex-presidente Jair Bolsonaro sofreu um traumatismo craniano leve após uma queda dentro do quarto onde está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e voltou a ser atendido no Hospital DF Star, menos de uma semana depois de ter recebido alta da mesma unidade. A nova ida ao hospital ocorreu após autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela execução da pena de 27 anos de prisão imposta a Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Segundo o médico Brasil Caiado, que integra a equipe responsável pelo ex-presidente, o episódio ocorreu na madrugada de terça-feira. Inicialmente, levantou-se a hipótese de uma queda da cama, mas, após conversar com o paciente e reconstituir os acontecimentos, os médicos passaram a acreditar que Bolsonaro se levantou durante a noite, tentou caminhar e caiu no quarto da superintendência. O relato indica um quadro de desorientação, com o próprio ex-presidente tendo dificuldade para lembrar exatamente como o acidente aconteceu.
Levado ao DF Star nesta quarta-feira, Bolsonaro passou por exames de imagem da região da cabeça, que confirmaram um traumatismo craniano leve, sem necessidade de intervenção cirúrgica ou procedimentos mais complexos. Em boletim assinado pelo cirurgião geral Claudio Birolini, o hospital informou que os exames evidenciaram leve densificação de partes moles na região frontal e temporal direita, compatível com o trauma, e que o paciente deverá seguir apenas cuidados clínicos determinados pela equipe médica. Após as avaliações, Bolsonaro recebeu alta e retornou à cela na sede da PF, que fica a poucos quilômetros do hospital.
A equipe médica trabalha com a hipótese de que a queda esteja relacionada à interação entre diferentes medicamentos usados por Bolsonaro. De acordo com Brasil Caiado, o ex-presidente faz uso de vários remédios para tratar crises de soluços, um problema recorrente que se intensificou nos últimos meses e que é considerado de difícil controle. A combinação dessas medicações pode provocar quadros de desorientação, tontura, desequilíbrio e alterações de memória, aumentando o risco de quedas. O médico afirmou que, se episódios semelhantes se tornarem recorrentes, Bolsonaro passa a estar em uma “zona de maior risco” do ponto de vista clínico, exigindo monitoramento ainda mais rigoroso.
O novo incidente acontece poucos dias depois de Bolsonaro ter deixado o mesmo hospital, onde permaneceu internado por oito dias. Na ocasião, ele foi submetido a uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral e a outros procedimentos voltados a conter o quadro de soluços persistentes. Desde então, sua rotina na prisão passou a incluir acompanhamento médico constante e ajustes na medicação, em meio às preocupações da defesa e da família com a evolução de seu estado de saúde.
Mesmo com o episódio da queda e a constatação do traumatismo craniano leve, os médicos consideram o quadro atual estável, embora demandando atenção contínua. A necessidade de equilibrar o tratamento das crises de soluços, os efeitos colaterais dos medicamentos e as condições de encarceramento coloca a saúde do ex-presidente no centro das discussões entre a equipe médica, a defesa e o STF, que tem sido chamado a se manifestar sempre que há pedidos de novos exames, internações ou alterações nas condições de custódia.
