Indústria mantém estabilidade desde abril de 2025, diz IBGE

A indústria brasileira mantém há meses um ritmo de produção praticamente estacionado, operando em um mesmo patamar desde abril de 2025, segundo avaliação do gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, André Macedo. Em novembro de 2025, a produção registrou variação nula na comparação com outubro, resultado que, apesar de mostrar ausência de crescimento, é considerado o melhor desempenho para um mês de novembro desde 2023, quando havia sido observada alta de 1,1%. No mesmo mês de 2024, a indústria tinha recuado 0,7%, o que reforça o quadro de relativa melhora, ainda que em ambiente de estagnação.

Na leitura da série histórica, Macedo lembra que o primeiro trimestre de 2025 foi o período de maior fôlego da indústria, culminando em março, quando a produção avançou 1,8% na margem, o maior crescimento mensal do ano. Depois desse pico, o setor passou a registrar perda de intensidade em abril e maio, para então permanecer girando em torno do mesmo nível de produção nos meses seguintes. Ao longo de 2025, seis meses ficaram muito próximos de zero: janeiro teve alta de 0,1%, fevereiro ficou estável, junho avançou 0,1%, julho recuou 0,1%, outubro voltou a crescer 0,1% e novembro encerrou com variação nula, reforçando o quadro de estabilidade.

Para o IBGE, esse comportamento está diretamente ligado ao ambiente de política monetária mais restritiva. A combinação de taxa de juros elevada e aperto nas condições de crédito encarece o financiamento e limita o acesso de empresas e consumidores a recursos, o que reduz investimentos e arrefece a demanda por bens industriais. Macedo destaca que o aumento dos juros está “muito associado” ao movimento de menor intensidade observado na produção, ajudando a explicar por que, mesmo sem quedas expressivas, a indústria não consegue engatar uma trajetória mais firme de expansão.

Esse freio monetário convive, porém, com um cenário doméstico ainda apoiado em um mercado de trabalho considerado robusto. Segundo o gerente da PIM, a economia tem mostrado resultados favoráveis no emprego, com aumento da massa de rendimentos, nível de ocupação em patamares elevados e taxa de desocupação baixa. Esse conjunto sustenta o consumo das famílias, impulsionando em alguma medida a demanda interna e oferecendo algum suporte ao setor industrial, ainda que insuficiente para reverter o quadro geral de fraqueza.

Na prática, a combinação de crédito caro e emprego aquecido resulta em uma indústria que não afunda, mas também não deslancha. De um lado, os juros altos limitam investimentos e produção; de outro, a renda e a ocupação ajudam a evitar quedas mais acentuadas. Para Macedo, o efeito líquido é um setor que “gira em torno do mesmo patamar” desde meados do ano, repetindo variações mensais muito próximas de zero e espelhando um momento em que a política monetária mais rígida se sobrepõe aos fatores positivos do mercado de trabalho.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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