Emmanuel Macron confirmou nesta quinta-feira que a França **votará contra a assinatura do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul**, anunciando sua decisão através de suas redes sociais e reiterando que o pacto está “desatualizado” e negocia em “termos obsoletos” baseados em um mandato de 1999[2][3].
O presidente francês justificou sua posição argumentando que, embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu[3]. Macron também afirmou que o acordo não atende aos critérios democráticos, econômicos, ambientais e sociais estabelecidos pelo parlamento francês[4].
A oposição francesa ao pacto não é recente. O governo sofre forte pressão de setores internos, particularmente da agricultura e pecuária, que temem concorrência desleal com produtos sul-americanos como carne, açúcar, arroz, mel e soja[1]. Os agricultores franceses têm manifestado sua rejeição ao acordo há semanas, com protestos que incluem bloqueios de rodovias no sul e sudoeste da França, além de mobilizações com tratores em Paris[3].
A posição francesa baseia-se em demandas específicas por garantias. O governo solicitou a inclusão de cláusulas de salvaguarda robustas e “cláusulas espelho” que imponham regras idênticas aos produtos importados em relação aos europeus, bem como controles de importação mais rigorosos[1]. Macron havia solicitado formalmente o adiamento da votação até 2026 para obter essas salvaguardas para os setores agrícola e pecuário[1].
No cenário político europeu, a França não está sozinha em sua oposição. Irlanda, Polônia e Hungria também se posicionam contra o acordo, enquanto Alemanha e Espanha manifestam apoio[3]. A Itália, inicialmente vista como o voto decisivo, indicou que deve apoiar o pacto, embora sua presidente Giorgia Meloni tenha condicionado o apoio a garantias para agricultores italianos[5].
O acordo, que leva mais de 25 anos em negociação, facilitaria a entrada de produtos europeus como automóveis, máquinas, vinhos e bebidas espirituosas nos mercados do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai)[1]. A Comissão Europeia esperava assinar o acordo em Brasília no sábado passado, mas o adiamento foi solicitado[1]. Para que seja ratificado, o pacto necessita apenas de uma maioria qualificada dos 27 Estados-membros da UE para aprovação, o que teoricamente permitiria avançar mesmo com a oposição francesa[3].
Macron compareceu a uma reunião do Conselho da União Europeia em Bruxelas para debater a questão, reiterando seu compromisso de “lutar” por garantias para os agricultores antes de qualquer aprovação[5].
