Operação que combate falsificação de bebidas prende duas pessoas em SP

Duas pessoas foram presas nesta quinta-feira em Rio Claro, interior de São Paulo, durante uma operação da Polícia Civil de combate à falsificação de bebidas alcoólicas. A ação, batizada de Operação Fonte do Veneno, cumpriu três mandados de busca e apreensão em uma adega e em um sítio onde, segundo as investigações, funcionava uma indústria clandestina de bebidas.

Durante as diligências, um homem de 29 anos e uma mulher de 26 anos foram presos em flagrante. De acordo com os investigadores, eles seriam os responsáveis pela fabricação clandestina das bebidas e vão responder por crimes contra a saúde pública, contra as relações de consumo e contra a propriedade material e industrial. Os policiais afirmam que o esquema colocava em risco a saúde dos consumidores e afetava a concorrência no mercado de bebidas.

No local apontado como fábrica ilegal, foram apreendidos dois veículos e uma motocicleta usados para entregar os produtos falsificados. Os agentes também encontraram mercadorias e produtos diversos sem comprovação de origem, que eram recebidos como forma de pagamento nas vendas, além de R$ 72 mil em dinheiro vivo. Foram recolhidos ainda insumos e materiais utilizados na falsificação e na comercialização das bebidas, como garrafas, rótulos e substâncias usadas na produção.

A Operação Fonte do Veneno faz parte de um esforço mais amplo da Polícia Civil para rastrear a origem de bebidas adulteradas e desmantelar a cadeia de produção e distribuição. Desde o surgimento de casos de intoxicação por metanol associados ao consumo de bebidas falsificadas, as autoridades intensificaram as ações de fiscalização. Dados do Ministério da Saúde até 5 de dezembro apontam que, no ano passado, pelo menos 22 pessoas morreram no país após ingerir bebidas adulteradas com confirmação de contaminação por metanol. Somente em São Paulo, a Secretaria de Estado da Saúde registrou 51 casos de intoxicação por essa substância, com 11 óbitos confirmados.

As investigações também analisam mortes suspeitas ligadas ao consumo de álcool. Quatro óbitos ainda estão sob apuração no estado: um em Guariba, um em São José dos Campos e dois em Cajamar. O caso de uma adolescente de 15 anos que morreu após ingerir bebidas alcoólicas no fim do ano passado chegou a ser investigado como possível intoxicação por metanol, mas essa hipótese foi descartada pela secretaria, que não divulgou outras causas.

O metanol é uma substância líquida, incolor e inflamável, amplamente utilizada como solvente industrial e na fabricação de combustíveis, plásticos, tintas e medicamentos. Embora tenha amplo uso na indústria, tem alto potencial de intoxicação: mesmo em pequenas doses, a ingestão pode provocar cegueira, danos neurológicos graves e levar à morte. A presença desse composto em bebidas destinadas ao consumo humano é ilegal e representa um dos principais riscos associados à falsificação.

Com a prisão do casal em Rio Claro e a apreensão dos materiais, a Polícia Civil busca agora identificar outros envolvidos no esquema e medir a extensão da rede de distribuição das bebidas adulteradas. As autoridades ressaltam que o consumo de produtos de procedência duvidosa, muitas vezes oferecidos a preços muito abaixo do mercado, pode ter consequências fatais e orientam a população a verificar rótulos, selos fiscais e pontos de venda antes de consumir bebidas alcoólicas.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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