Lula comemora acordo entre Mercosul e UE: “vitória do diálogo”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “vitória do diálogo” a aprovação, pela União Europeia, da assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul, coroando uma negociação que se estendeu por um quarto de século. Pelas redes sociais, Lula celebrou o desfecho como um marco não apenas econômico, mas também político e diplomático, afirmando que o entendimento entre os dois blocos representa uma aposta na cooperação e na integração em um cenário internacional marcado por tensões comerciais e disputas geopolíticas.

Segundo o presidente, o acordo envia uma mensagem de confiança ao sistema de comércio internacional ao aproximar dois grandes mercados que, juntos, reúnem 718 milhões de pessoas e somam um Produto Interno Bruto de 22,4 trilhões de dólares. Ele ressaltou que se trata de um dos maiores tratados de livre comércio do mundo e de um sinal de que ainda é possível construir consensos amplos em torno de interesses comuns, mesmo em meio a pressões internas e externas. Para Lula, que vinha priorizando o tema desde o início de seu mandato e tentou concluir o entendimento ainda durante a presidência brasileira do Mercosul, o resultado confirma a estratégia de reaproximação do país com parceiros tradicionais e de defesa do multilateralismo.

Ao chamar o dia de “histórico para o multilateralismo”, Lula buscou destacar o caráter simbólico de um acordo que exigiu 25 anos de negociações, revisões de texto, mudanças de governos e ajustes de expectativas de ambos os lados. O presidente também aproveitou para enfatizar a defesa de um modelo de governança global baseado em regras e instituições, em contraposição ao unilateralismo de grandes potências ou a acordos restritos a poucos atores. Segundo ele, a lógica é fortalecer esquemas de cooperação em que blocos inteiros se articulam para ampliar mercados, reduzir barreiras e estabelecer parâmetros comuns em temas sensíveis, como padrões ambientais e regras para investimentos.

Do ponto de vista prático, a aprovação europeia abre caminho para a etapa de assinatura formal, prevista para ocorrer no Paraguai, país que exerce a presidência rotativa do Mercosul. Caberá à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viajar ao país sul-americano para selar o compromisso com os quatro integrantes do bloco: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Pelo modelo adotado, a entrada em vigor será individual, o que significa que cada país do Mercosul dependerá da aprovação de seus próprios parlamentos, sem necessidade de aguardar a ratificação simultânea dos demais Estados-membros para começar a aplicar o tratado.

Internamente, o governo brasileiro trata o avanço como peça central da estratégia de reindustrialização com inserção competitiva no mercado global. A expectativa é de que a eliminação ou redução gradual de tarifas abra espaço para aumento das exportações de produtos agrícolas e industriais, atração de investimentos e integração em cadeias de valor mais complexas. Ao mesmo tempo, o Planalto busca responder a críticas de setores que temem efeitos negativos sobre a indústria nacional, argumentando que o acesso ampliado a mercados de alto poder aquisitivo pode estimular modernização produtiva, inovação tecnológica e ganhos de produtividade.

Na dimensão política, auxiliares de Lula veem no acordo um ativo importante para a imagem do governo no exterior e um argumento adicional em debates internos sobre a condução da política econômica. Ao associar o tratado a uma “vitória do diálogo”, o presidente procura diferenciar sua atuação de abordagens mais confrontacionistas no cenário internacional e sustentar a narrativa de que o Brasil voltou a ocupar papel de articulador em temas globais, da agenda climática às reformas da governança econômica mundial.

O Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços também celebraram o resultado, classificando o pacto como o maior acordo comercial já negociado pelo Mercosul e um dos mais amplos entre aqueles firmados pela União Europeia com parceiros ao redor do mundo. Para a diplomacia brasileira, o entendimento consolida uma parceria estratégica com a Europa, ao mesmo tempo em que projeta o Mercosul como interlocutor relevante em discussões sobre regras do comércio internacional, desenvolvimento sustentável e novos marcos regulatórios. Segundo as pastas, o desafio agora será transformar o capital político acumulado em ganhos concretos para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois lados do Atlântico, na forma de mais oportunidades, empregos e inovação.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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