CEO de petroleira dos EUA a Trump: “é inviável investir na Venezuela”

O presidente e CEO da ExxonMobil, Darren Woods, afirmou, em reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que a Venezuela é hoje um país inviável para investimentos no setor de petróleo, diante do atual arcabouço legal e comercial em vigor. Segundo ele, qualquer retorno da petroleira ao país sul-americano dependeria de uma reformulação profunda das regras que regem a indústria de hidrocarbonetos e das garantias de proteção aos capitais estrangeiros.

Em carta tornada pública no site corporativo da ExxonMobil, Woods detalhou a avaliação apresentada a Trump. Ao analisar o ambiente jurídico e regulatório venezuelano, o executivo classificou os riscos como elevados demais para justificar novos aportes. Ele ressaltou que, para viabilizar projetos de longa duração, seria indispensável estabelecer mecanismos duradouros de proteção ao investimento e revisar a legislação específica do setor, considerada desfavorável às empresas internacionais.

Apesar do diagnóstico negativo, Woods não fechou completamente a porta à possibilidade de voltar a operar no país. Ele indicou que, se houver convite formal do governo venezuelano e garantias claras de segurança jurídica e física para seus funcionários e ativos, a ExxonMobil poderia enviar uma equipe técnica ao território venezuelano para avaliar oportunidades. Na carta, o executivo argumentou que a companhia teria capacidade de ajudar a levar o petróleo bruto venezuelano ao mercado internacional em condições de obter um preço justo, o que, em sua avaliação, poderia contribuir para melhorar a situação financeira do país.

Woods acrescentou que há confiança, da parte da empresa, de que um trabalho conjunto entre os governos dos Estados Unidos e da Venezuela possa, no futuro, abrir espaço para mudanças estruturais. Ele evitou se posicionar diretamente sobre o governo venezuelano, mas enfatizou que o grande desafio está no modo como os recursos naturais são administrados e repartidos. Na visão do CEO, a exploração de petróleo precisa ser vantajosa para as comunidades locais e, para isso, as companhias devem ser bem-vindas e atuar como bons vizinhos.

Ao lembrar o histórico da ExxonMobil na Venezuela, Woods destacou que a empresa entrou no país ainda na década de 1940 e encerrou suas operações há cerca de 20 anos, depois de uma longa trajetória no setor de exploração e produção de petróleo. Ele recordou que os ativos da companhia foram confiscados duas vezes ao longo desse período, o que pesa diretamente nas atuais decisões de investimento. Segundo o executivo, uma eventual terceira entrada no mercado venezuelano só ocorreria se houvesse mudanças bastante significativas em relação ao cenário histórico de expropriações e à situação vigente hoje.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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