Vitória e Atlético-BA abrem Campeonato Baiano com empate sem gols

O Vitória iniciou sua caminhada no Campeonato Baiano de 2026 com um empate sem gols diante do Atlético de Alagoinhas, no Barradão, em Salvador, resultado que expôs, logo na primeira rodada, as consequências do planejamento do clube para a temporada. Com a prioridade voltada ao Campeonato Brasileiro e às demais competições nacionais, a diretoria decidiu apostar em uma formação mesclada no Estadual, combinando jovens da base, atletas pouco utilizados em 2025 e jogadores que retornaram de empréstimo, todos sob o comando do auxiliar Rodrigo Chagas, enquanto o técnico Jair Ventura trabalha com o elenco principal para a estreia na Série A contra o Remo, no fim de janeiro.

Em campo, o efeito dessa estratégia apareceu desde o apito inicial. Mais entrosado e sem o ônus de administrar dois elencos, o Atlético de Alagoinhas começou melhor e quase estragou a festa rubro-negra logo aos sete minutos. Higor recebeu excelente lançamento de Miller, ganhou às costas de Kauan e, cara a cara com a zaga na área, acertou o travessão, no primeiro grande susto para a torcida que foi ao Barradão acompanhar de perto a estreia. O lance evidenciou as dificuldades naturais de um time alternativo ainda em processo de ajuste, lidando com ritmo de jogo abaixo do ideal e pouca vivência conjunta.

Aos poucos, porém, o Vitória conseguiu se organizar e passou a responder à altura do rival. O zagueiro Kauan, que havia sofrido no lance inicial, quase se redimiu aos 14 minutos, em jogada de bola parada. Após escanteio cobrado pela esquerda pelo meia Pablo, ele subiu mais do que a defesa e cabeceou firme, carimbando a trave do goleiro Patyêgo. O lance animou a equipe rubro-negra, que passou a trocar mais passes no campo ofensivo, explorando a movimentação de atacantes como Lawan e as chegadas de Pablo de trás. Dez minutos depois, o meia voltou a aparecer com perigo: recebeu passe de Lawan, concluiu de fora da área, viu a bola desviar na marcação e encobrir o goleiro, mas o zagueiro Dedé, atento em cima da linha, evitou o gol.

Enquanto o time ainda busca identidade coletiva, alguns nomes mais experientes tentam liderar esse processo. O meia Dudu Maraíma foi o jogador com maior rodagem em campo, atingindo a marca de 101 partidas pelo Vitória justamente nesta estreia do Baianão. Revelado no próprio clube, ele não vestia a camisa rubro-negra desde 2023, período em que passou por Náutico, Portuguesa, CSA, Noroeste e São Bernardo, antes de ser reintegrado ao grupo para 2026. Sua presença simboliza a tentativa do Vitória de combinar a energia dos garotos com a leitura de jogo e a calma de quem conhece bem o Barradão e a pressão sobre o clube em torneios estaduais.

Do lado atleticano, a principal atração ficou apenas no banco de reservas. O atacante Walter, 36 anos, conhecido do grande público desde que despontou no Internacional campeão da Libertadores de 2010 e com passagens por Porto, Fluminense, Cruzeiro e uma longa lista de clubes, não chegou a entrar na partida. No comando à beira do gramado, o técnico Agnaldo Liz carregou um componente afetivo extra: ex-zagueiro do Vitória, integrou o elenco vice-campeão brasileiro em 1993, assim como o próprio Rodrigo Chagas, que naquela época atuava como lateral. O reencontro dos dois, agora em lados opostos, acrescentou um elemento histórico à abertura do Estadual.

A etapa final evidenciou o peso do início de temporada para as duas equipes. Com ritmo mais lento, maior espaçamento entre os setores e desgaste físico aparente, as chances claras de gol se tornaram cada vez mais raras. Ainda assim, o segundo tempo reservou pontos positivos para o torcedor rubro-negro, principalmente pelas estreias e retornos de jogadores. O lateral Jamerson voltou a atuar depois de sete meses afastado, período em que tratou o rompimento dos ligamentos do tornozelo direito. Sua entrada deu mais profundidade ao lado do campo e foi destacada pela comissão técnica como um reforço importante para a sequência do Baianão. Outro nome que chamou atenção foi o atacante Kike Saverio, italiano com nacionalidade equatoriana e espanhola, formado nas categorias de base do Barcelona. Utilizado na etapa complementar, ele tenta se firmar como peça ofensiva diferenciada nesse elenco alternativo, oferecendo velocidade e repertório técnico para superar defesas fechadas.

Nos acréscimos, embalado pelas últimas substituições, o Vitória conseguiu empurrar o Atlético-BA para o próprio campo, rondando a área adversária em busca do gol que garantiria os três pontos na largada da competição. Faltou, porém, precisão no último passe e melhor tomada de decisão nas finalizações. O apito final confirmou o 0 a 0 e a divisão de pontos, resultado considerado aceitável internamente para um time em formação, mas que aumenta a cobrança por evolução rápida se o clube quiser brigar pelas primeiras posições da tabela mesmo priorizando outras frentes em 2026.

Enquanto o Vitória projeta a sequência do Estadual com seu grupo mesclado, o Campeonato Baiano segue movimentando o calendário e a grade de transmissões. O atual campeão Bahia estreia no torneio diante do Jequié, na Arena Fonte Nova, em jogo marcado para a tarde de domingo e exibido em rede nacional. Assim como o rival, o tricolor utilizará um time alternativo, mas com uma diferença relevante: o elenco será comandado pelo próprio técnico Rogério Ceni, que vê no Baianão uma oportunidade de dar minutagem a jovens e reservas, sem deixar de acompanhar de perto o desenvolvimento da equipe desde a primeira rodada.

A edição de 2026 mantém o Campeonato Baiano entre os torneios estaduais mais tradicionais do país. Em sua 122ª realização, a competição reúne dez clubes em turno único na primeira fase, com os quatro melhores avançando às semifinais, realizadas em jogo único, assim como a final. Os dois últimos colocados serão rebaixados para a segunda divisão de 2027. No histórico de conquistas, o Bahia lidera com 51 títulos estaduais, seguido pelo Vitória, que soma 30 taças.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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