Suvaco do Cristo se despede do carnaval após 40 anos de desfile

# Suvaco do Cristo encerra 40 anos de história no carnaval do Rio

Depois de quatro décadas desfilando pelas ruas do Jardim Botânico, o tradicional bloco de rua Suvaco do Cristo se despede do carnaval carioca. O último desfile acontecerá no dia 8 de fevereiro, último domingo antes do carnaval, marcando o encerramento de uma trajetória que ajudou a revitalizar o carnaval de rua no Rio de Janeiro.[1][3][7]

O bloco foi fundado em 1985 e seu nome foi inspirado em uma frase do compositor Tom Jobim, morador do bairro do Jardim Botânico, que dizia que em sua casa tudo mofava porque vivia no “Suvaco do Cristo”. Localizado numa linha reta que partiria das axilas da estátua do Cristo Redentor, no morro do Corcovado, o bloco se consolidou como uma instituição do carnaval da Zona Sul carioca, participando das baterias de escolas de samba como Salgueiro, Mangueira e Tradição.[4][6]

Para a despedida, a fantasia será livre e o repertório inclui o samba “Eco no Ar”, que ironiza os “ecologistas de última hora” que participaram da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, realizada no Rio em 1992.[1] João Avelleira, fundador e presidente do bloco, explicou que a decisão de encerrar as atividades é simbólica e não tem relação com burocracias ou dificuldades operacionais, mas sim com a representatividade dos 40 anos completados.[1]

“Completamos 40 anos e achamos que o nosso ciclo chegou ao fim. Dever cumprido. A gente acha que ajudou a revitalizar o carnaval de rua do Rio de Janeiro. São 40 anos de desfile. Hoje, nós temos milhares de blocos mais jovens, fanfarras, uma diversidade, e acho que nossa missão está cumprida”, afirmou Avelleira.[1] Segundo ele, o legado do Suvaco do Cristo segue vivo em muitos blocos que surgiram depois. “A gente se sente representado e tem certeza de que o nosso DNA está em muitos desses blocos que hoje estão desfilando por aí. A gente serviu de estímulo para muitos blocos pequenos”.[1]

Para o carnaval de 2026, o Suvaco do Cristo fez sua inscrição na Riotur, seguindo o procedimento formal adotado todos os anos, juntando-se aos demais 802 blocos que pediram autorização à prefeitura.[1][5]

O desfile será documentado em vídeo pela Casé Filmes, com roteiro do jornalista Aydano André Motta, especialista em carnaval, e do roteirista Leonardo Bruno. As imagens servirão como fio condutor para contar os 40 anos de história do bloco e seu legado no carnaval de rua carioca. “Vamos terminar em grande estilo”, prometeu Avelleira.[1]

O bloco prepara um Museu Virtual para preservar sua memória. O acervo reunirá fotos, sambas, gravações, reportagens e contextos históricos dos desfiles, disponível gratuitamente para pesquisadores e público em geral. Avelleira acredita que o museu completo estará acessível ainda em 2026. “Vamos deixar essa memória gravada para que todas as pessoas possam ter acesso”, ressaltou.[1]

O projeto está sendo desenvolvido em parceria com o Instituto de Computação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob coordenação da professora Anamaria Martins Moreira, envolvendo alunos de computação, história, história da arte e comunicação em um trabalho de extensão universitária. O site do bloco já disponibiliza conteúdo do primeiro desfile de 1986 como teste inicial do projeto.[1]

A estrutura do museu inclui informações detalhadas de cada ano dos desfiles, com dados sobre sambas, contexto histórico do país e do mundo, compositores e artistas responsáveis pelas camisetas dos blocos. Um dos destaques será o registro de 2012, quando o bloco venceu o Prêmio Serpentina de Ouro, criado pelo jornal O Globo na categoria melhor fantasia. Também será incluído um documentário dos primeiros 20 anos do Suvaco, realizado por Paola Vieira, uma das fundadoras da agremiação.[1]

Segundo Anamaria Martins Moreira, a partir de agora o trabalho deve ser mais rápido, já que a estrutura está montada e ganhou uma feição mais colorida. “Agora, é só duplicar as páginas e trocar os conteúdos, eventualmente adaptando para um conteúdo diferente. É um trabalho ambicioso, porque são 40 anos e há uma diversidade de coisas que aconteceram ao longo desse período”, explicou.[1]

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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