O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, alertou nesta terça-feira que o caso do Banco Master pode se configurar como a maior fraude bancária da história do Brasil, destacando a necessidade de cautela e firmeza na defesa do interesse público. Ao chegar ao Ministério da Fazenda, em Brasília, ele enfatizou que o governo acompanha de perto a atuação do Banco Central (BC) desde a decretação da liquidação da instituição, em novembro do ano passado, e mantém diálogo permanente com a autoridade monetária[2][4][5].
Haddad revelou que conversa quase diariamente com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, a quem manifestou apoio público e confiança total no trabalho realizado. “Estou absolutamente seguro com o trabalho que o Galípolo e a equipe fizeram. É um trabalho muito robusto”, afirmou o ministro a jornalistas na portaria do ministério[2][4][5][8]. Ele descreveu o episódio como um que “inspira muito cuidado”, exigindo todas as formalidades legais, com espaço para a defesa se explicar, mas sem abrir mão do rigor na apuração[4][6][10].
A liquidação do Banco Master foi determinada pelo BC após a descoberta de graves irregularidades, como a venda de carteiras de crédito fictícias ao Banco de Brasília (BRB), em um volume estimado em R$ 12,2 bilhões[1][2]. Investigadores da Polícia Federal apontam ainda para emissão de títulos de crédito falsos, manipulação contábil para inflar ativos e uma ciranda financeira bilionária envolvendo fundos de investimento, com movimentações de R$ 11,5 bilhões possivelmente em nome de laranjas ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, presidente do banco, preso no mesmo dia da intervenção[1].
O ministro também destacou o impacto sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que precisará cobrir prejuízos estimados em até R$ 41 bilhões para depósitos de até R$ 250 mil por correntista[4]. Embora o FGC seja de natureza privada, Haddad lembrou que Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal respondem por dois terços de sua capitalização, tornando o caso de interesse público direto. “O FGC é composto por recursos de todo o sistema, inclusive de bancos públicos”, reforçou[4][8].
Além do contato constante com o BC, Haddad mencionou interlocuções com o Tribunal de Contas da União (TCU). Ele citou uma reunião na segunda-feira entre Galípolo, o presidente do TCU, Vital do Rêgo, e o relator Jhonatan de Jesus, que indicou convergência para apurar responsabilidades e buscar ressarcimentos[2][4][5]. O BC chegou a desistir de embargos para permitir uma inspeção do TCU sobre a liquidação, reforçando a transparência no processo[1][13][14].
O caso ganhou contornos de crise no sistema financeiro nacional, com novas revelações desde o início do ano sobre a proximidade de autoridades com a diretoria do Master e suposto uso de influenciadores digitais para desacreditar o BC[6]. Haddad defendeu que a análise técnica da autarquia foi acompanhada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), garantindo solidez jurídica e proteção à poupança popular[2].
