Governo brasileiro lamenta mortes no Irã e defende soberania do país

O governo brasileiro manifestou preocupação com as manifestações violentas no Irã, que eclodiram em 28 de dezembro em resposta ao aumento dos preços do custo de vida e rapidamente se transformaram em protestos generalizados contra o regime clerical que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979. A moeda local, o rial, perdeu quase metade de seu valor em relação ao dólar em 2025, com a inflação atingindo 42,5% em dezembro, agravada por sanções dos Estados Unidos e ameaças de ataques israelenses, em meio a uma crise econômica profunda marcada por guerra recente com Israel e desigualdades sociais.

Os atos se espalharam por mais de 100 cidades, incluindo regiões pobres como Ilam, Lorestan e Zahedan, onde minorias étnicas como curdos e balúches lideram confrontos intensos. Manifestantes incendiaram mesquitas, ônibus, estações de metrô e bancos em Teerã, entoando gritos de “Morte ao ditador” contra o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e exigindo o fim do regime. Diferente de protestos anteriores, como os de 2022 pela morte de Mahsa Amini, estes ganharam dimensão inédita nos 47 anos da República Islâmica, com apoio de figuras exiladas como Reza Pahlavi, filho do xá deposto, que convocou multidões via redes sociais e é visto por alguns como alternativa à teocracia, embora não haja consenso sobre um retorno monárquico.

As autoridades iranianas responderam com repressão dura: cortaram a internet e linhas telefônicas por mais de 48 horas, cancelaram voos e prenderam milhares – relatos indicam pelo menos 2.600 a 10.600 detidos, além de 950 policiais e 60 militares feridos em embates com manifestantes armados com granadas e armas de fogo. Organizações de direitos humanos registram entre 65 e mais de 600 mortes, com tiros contra marchas pacíficas e ataques a delegacias. Khamenei acusou os manifestantes de serem “mercenários de estrangeiros”, especialmente de Donald Trump, que retomou a “pressão máxima” contra Teerã ao voltar à Casa Branca em 2025, ameaçando intervenções militares e ataques “onde dói” se houver violência contra os protestos. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian tolera atos pacíficos, mas culpa “terroristas estrangeiros”; a Guarda Revolucionária declarou a defesa do regime como “linha vermelha”.

Nesta terça-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou nota oficial lamentando as mortes e defendendo a soberania iraniana para decidir seu futuro, instando diálogo pacífico entre todos os atores. Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo. Não há brasileiros entre mortos ou feridos, e a embaixada em Teerã atende a comunidade local.

A tensão internacional escalou com Trump anunciando tarifas de 25% contra países que negociem com o Irã, o que pode impactar o Brasil, responsável por quase US$ 3 bilhões em comércio bilateral em 2025, especialmente no agronegócio. O governo federal aguarda a ordem executiva americana para se posicionar, enquanto os protestos seguem pelo 13º dia, com prisões em massa e o regime sob sua maior pressão em décadas, enfraquecido pela perda de aliados como Bashar al-Assad na Síria e o Hezbollah no Líbano.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)