A Polícia Civil de São Paulo prendeu três homens suspeitos de planejar e organizar o assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes, ocorrido em 15 de setembro de 2025, em Praia Grande, no litoral paulista. Os detidos, identificados como Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como Azul ou Careca; Márcio Serapião de Oliveira, o Velhote; e Manuel Alberto Ribeiro Teixeira, apelidado de Manezinho, são assaltantes de banco com histórico de envolvimento em tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Todos foram presos pelo próprio Ruy Ferraz em 2005.
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, afirmou em entrevista coletiva que os suspeitos mantiveram contato direto com o ex-delegado durante aquelas prisões, o que gerou uma mágoa profunda e motivou a retaliação. Ele estima ter 90% de certeza de que o crime foi uma resposta à atuação de Ruy contra o crime organizado, especialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção à qual os presos são ligados. Fernando Alberto, apontado como líder do PCC na Baixada Santista, teria comandado as ações, com o trio responsável pelo planejamento, organização e logística do assassinato, iniciado em março de 2025 e com monitoramento intensivo da vítima a partir de junho do mesmo ano.
Ruy Ferraz, delegado por mais de 40 anos e responsável por prisões de lideranças do PCC nos anos 2000, atuava na época como secretário de Administração na prefeitura de Praia Grande. No dia do crime, ele saiu do prédio municipal em seu carro, foi perseguido por um veículo com homens armados, colidiu em alta velocidade com um ônibus e foi executado com tiros de fuzil. Toda a sequência foi captada por câmeras de vigilância.
Embora a polícia mantenha aberta a hipótese de ligação com sua função na prefeitura, a motivação principal apontada é a vingança pelo combate ao crime organizado. A operação policial, realizada em Santos, Jundiaí, Mongaguá e outras localidades, cumpriu 13 mandados de busca e cinco de prisão temporária. Durante as buscas, os policiais apreenderam celulares, documentos e uma arma de fogo para análise técnica a fim de confirmar se há um mandante acima do trio.
