Nesta quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, realizaram uma conversa por telefone que ambos descreveram como positiva e produtiva. Delcy, que assumiu o cargo no início do mês após a captura de Nicolás Maduro por forças especiais norte-americanas, destacou que o diálogo foi longo, cordial e baseado em respeito mútuo, abordando uma agenda bilateral em benefício dos povos dos dois países e assuntos pendentes nas relações governamentais.
Trump, em declaração à imprensa na Casa Branca e em postagem na rede Truth Social, elogiou a líder venezuelana como uma “pessoa fantástica” e “incrível”, com quem os Estados Unidos têm trabalhado bem. Ele revelou que os temas discutidos incluíram petróleo, minerais, comércio e segurança nacional, afirmando que o país norte-americano está ajudando a Venezuela a se estabilizar e recuperar. “Essa parceria entre os Estados Unidos e a Venezuela será espetacular para todos. A Venezuela, em breve, será grande e próspera novamente, talvez mais do que nunca”, declarou o presidente republicano.
A ligação marca uma guinada nas relações entre Washington e Caracas, antes marcadas por hostilidades. No dia 3 de janeiro, militares dos Estados Unidos capturaram Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em Caracas, levando-os para Nova York, onde enfrentam julgamento por tráfico de drogas, sob ordens diretas de Trump. Inicialmente, Delcy Rodríguez criticou a operação em pronunciamento à nação, chamando-a de violação ao direito internacional e afirmando que a Venezuela não seria colônia novamente. No entanto, na última semana, seu governo anunciou a retomada de conversas diplomáticas com os Estados Unidos e libertou 406 presos políticos, com o processo ainda em andamento.
Esses gestos conciliadores ocorrem em meio a uma tutela americana sobre o governo venezuelano, com acordos para exportação de milhões de barris de petróleo e cooperação em infraestrutura. Delcy, vice-presidente de Maduro desde 2018 e com experiência em economia, petróleo e inteligência, conta com apoio do Exército e de figuras como seu irmão Jorge Rodríguez e o ministro Diosdado Cabello. Apesar de sanções passadas impostas por Trump, ela adotou um tom mais amigável, convidando os Estados Unidos a uma agenda de desenvolvimento compartilhado.
A conversa telefônica acontece um dia antes de Trump receber na Casa Branca a opositora venezuelana María Corina Machado, excluída por enquanto da transição no país. O Tribunal Supremo de Justiça venezuelano declarou a ausência de Maduro como temporária, permitindo que ela exerça o poder por até 90 dias, prorrogáveis, sem eleição imediata.
