CRM-PB alerta sobre cursos de Medicina com desempenho insuficiente na Paraíba

Quatro cursos de Medicina na Paraíba receberam nota 2 no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, divulgado em 19 de janeiro, e sofrerão punições por desempenho insuficiente. As instituições atingidas são Unipê, Famene e Afya, localizadas em João Pessoa, e Unifacisa, em Campina Grande. Todas as instituições com resultados negativos são privadas. De acordo com o Inep, cursos com conceito 2 terão redução no número de vagas para novos ingressantes, enquanto cursos com conceito 1 sofrerão suspensão total do ingresso.

Na Paraíba, o índice de desempenho insatisfatório ficou acima da média nacional. Mais de 40% dos nove cursos de Medicina avaliados no estado apresentaram conceitos 1 e 2, comparado a 32% em nível nacional, onde 99 cursos obtiveram essas notas. Em escala nacional, foram avaliados 351 cursos de Medicina, sendo que 30% estão na faixa considerada insatisfatória.

O presidente do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), Bruno Leandro de Souza, afirmou que os resultados não causaram surpresa, embora sejam motivo de grande preocupação. Segundo ele, os dados reafirmam uma tendência já observada em avaliações nacionais anteriores: a existência de fragilidades relevantes na formação médica, especialmente em parte dos cursos ofertados no país. Bruno Leandro destacou que o fato de, entre os nove cursos de Medicina existentes na Paraíba, quatro terem obtido nota 2 — considerada insuficiente — é um dado que não pode ser relativizado, pois aponta para possíveis deficiências estruturais, pedagógicas e assistenciais no processo formativo desses futuros profissionais.

O presidente do CRM-PB criticou a expansão desordenada de cursos de Medicina no estado e no país, afirmando que a lógica predominantemente comercial não garante estrutura adequada para formação prática dos estudantes. Bruno Leandro acrescentou que a falta de campos de estágio e treinamento compromete diretamente a qualidade da formação médica e pode gerar riscos à população. Ele declarou: “Não precisa ter grandes conhecimentos em grandes áreas para entender que se você coloca muita gente sem qualificação, sem ter onde treinar, simplesmente por uma lógica de mercado, isso vai dar errado”.

Entre os cursos avaliados na Paraíba, três instituições apresentaram desempenho considerado bom, com nota 4: a Universidade Federal da Paraíba, a Universidade Federal de Campina Grande (Campus Cajazeiras) e a Universidade Federal de Campina Grande (Campus Campina Grande). Dois cursos receberam nota 3, considerada razoável: UNIFIP, em Patos, e Unifsm, em Cajazeiras. O predomínio de instituições públicas entre as mais bem avaliadas em nível nacional reforça a importância da adoção de critérios rigorosos para abertura, funcionamento e avaliação contínua dos cursos.

Bruno Leandro reforçou que a avaliação do Enamed não deve ser encarada como punição, mas como um mecanismo que permite às instituições identificar falhas e corrigi-las. Ele também reafirmou a necessidade, defendida pelo Sistema de Conselhos, da criação de uma Prova de Proficiência Nacional para o exercício da profissão. Segundo o presidente, essa medida buscaria assegurar que médicos com formação insuficiente não ingressem automaticamente no mercado de trabalho.

De acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, as universidades terão um prazo para apresentar uma defesa, reforçando que a proposta é garantir a qualidade do ensino, protegendo a população que será assistida por esses profissionais.

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