Rioprevidência nega irregularidades em transações com o Master

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira a Operação Barco de Papel, no Rio de Janeiro, para investigar suspeitas de operações financeiras irregulares envolvendo a Rioprevidência, autarquia responsável pela gestão de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores públicos do estado, e o Banco Master.

A ação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão na sede do fundo e em endereços ligados a gestores, incluindo o atual presidente Deivis Marcon Antunes, o ex-diretor de investimentos Euchério Rodrigues e o ex-gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal. As ordens foram expedidas pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio. Deivis Marcon Antunes viajou para os Estados Unidos no dia 15 de janeiro. Agentes da Polícia Federal estiveram no endereço do executivo, em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, encontraram a casa trancada e acionaram um chaveiro para acessar a residência, onde apreenderam R$ 6 mil em espécie. Na casa de Euchério Rodrigues, a Polícia Federal apreendeu R$ 3.760 em notas novas em uma mochila. A investigação, iniciada em novembro de 2025, apura nove operações realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. Esses aportes colocaram o Rioprevidência no topo da lista de fundos que investiram na instituição, sem garantia do Fundo Garantidor de Créditos, expondo o patrimônio dos servidores a riscos elevados e incompatíveis com a finalidade previdenciária. O termo Barco de Papel refere-se a ativos financeiros de alto risco de crédito, com lastro frágil ou sem garantia real.

O Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, é investigado por fraudes que inflavam artificialmente seu balanço, com suspeitas de desvio de R$ 11,5 bilhões, segundo relatórios policiais e do Banco Central. A Polícia Federal aponta possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional, como gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública ao erro, fraude à fiscalização ou ao investidor, associação criminosa e corrupção passiva. O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro havia emitido alertas prévios sobre graves irregularidades e riscos elevados nos investimentos. O trabalho investigativo contou com apoio da Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social, que elaborou relatório de auditoria fiscal.

Em nota, a Rioprevidência negou irregularidades e informou que os R$ 970 milhões estão resguardados por decisão judicial de dezembro de 2025, que determinou a retenção do valor acrescido de juros e correção monetária. A autarquia esclareceu que o investimento está em fase de quitação, com retenção de valores de empréstimos consignados que seriam repassados ao banco, e que os pagamentos de benefícios ocorrem normalmente. Ressaltou que os recursos estão à disposição do caixa previdenciário e que a liquidação ocorrerá em cerca de dois anos. As defesas dos investigados ainda não se manifestaram. As apurações estão em andamento.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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