# Ministério Público move ação contra Shopping Higienópolis por racismo
A Promotoria de Justiça da Infância e Juventude de São Paulo entrou com uma ação civil pública contra o Shopping Pátio Higienópolis por um episódio de racismo praticado por seguranças do estabelecimento contra três adolescentes negros alunos do Colégio Equipe. O caso ocorreu em abril de 2025, quando dois alunos negros da instituição foram almoçar com amigos no shopping, localizado em um bairro nobre da capital paulista.
Enquanto estavam na praça de alimentação, uma funcionária terceirizada responsável pela segurança do centro comercial abordou uma estudante branca que almoçava com eles e questionou se os adolescentes negros estavam pedindo dinheiro a ela. A adolescente respondeu que eram seus amigos e perguntou à segurança se o questionamento estava relacionado à cor da pele dos colegas. Relatos indicam que a segurança havia monitorado um dos meninos quando ele recebeu dinheiro de seu pai, um homem branco, na entrada do shopping.
Após o incidente, o Ministério Público abriu um inquérito civil para investigar a conduta do shopping. Reuniões foram realizadas entre o promotor responsável e representantes do estabelecimento, resultando na elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Contudo, o shopping não assinou o acordo no prazo estipulado, levando o Ministério Público a ingressar com a ação judicial na terça-feira, 20 de janeiro.
A ação civil pública solicita que o shopping amplie seu núcleo social, que deve ser composto por um assistente social e um psicólogo em funcionamento durante todo o horário de operação do estabelecimento. O órgão também pede que somente equipes do núcleo social possam abordar crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade identificados dentro do shopping, vedando abordagens diretas por seguranças ou vigilantes, salvo em situações de risco iminente à integridade física ou cometimento de atos infracionais equiparados a crimes.
Além disso, a ação solicita a proibição da expulsão ou exclusão de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, especialmente aqueles em situação de rua. O Ministério Público também requer que o shopping seja condenado ao pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos e que contrate uma consultoria especializada em combate ao racismo em espaços públicos para capacitar permanentemente funcionários das áreas de segurança e atendimento ao público.
O caso gerou grande repercussão nas redes sociais e na imprensa. Dias após o ocorrido, dezenas de estudantes, familiares e professores organizaram uma manifestação em frente ao shopping. O protesto foi organizado pelo Coletivo Equipreta, um grupo antirracista da escola, com participantes levantando bandeiras e cartazes com mensagens como “racista nenhum vai tirar minha dignidade” e “racistas otários nos deixem em paz”.
A Comissão Antirracista de Famílias e Responsáveis do Colégio Equipe se manifestou em nota afirmando que “não é a primeira vez que esse tipo de situação acontece no Shopping Pátio Higienópolis, o que nos indica a ausência de intenção da gestão desse estabelecimento em resolver o problema”. A escola cobrou que o shopping invista em letramento racial para todos os trabalhadores e lojistas, além de criar protocolos firmes contra o racismo dentro do recinto.
O Shopping Pátio Higienópolis lamentou o ocorrido em nota oficial e afirmou estar em contato com a família das vítimas. “O comportamento adotado não reflete os valores do shopping e o tema está sendo tratado com máxima seriedade”, informou o estabelecimento. O shopping também destacou que possui uma frequente grade de treinamentos e programas de letramento, que serão reforçados para “reiterar nosso compromisso inegociável com a construção de um espaço verdadeiramente seguro e acolhedor para todas as pessoas”. Procurado pela imprensa, o shopping informou que desconhece os termos da ação e se manifestará nos autos quando for citado.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, um boletim de ocorrência foi registrado virtualmente e será encaminhado ao distrito policial da área para as devidas medidas cabíveis e esclarecimento do caso.
