O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, solicitou formalmente ao governador de Minnesota, Tim Walz, o auxílio da Guarda Nacional do Minnesota para reforçar os recursos policiais da cidade, sobrecarregados pelos protestos desencadeados pela morte de um enfermeiro local.
Neste sábado, Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos que trabalhava na UTI do Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA, foi morto por um agente de imigração do Departamento de Segurança Interna durante um confronto na região da Rua 26 e da Avenida Nicollet. Pretti, cidadão americano nascido em Illinois e graduado pela Universidade de Minnesota, era descrito por familiares e colegas como uma alma bondosa que dedicava a vida a cuidar de veteranos doentes, pesquisando inclusive formas de prevenir mortes por câncer de cólon. Seu pai, Michael Pretti, afirmou que o filho participava de protestos contra as ações de imigração por se indignar com o que via como sequestros de crianças e prisões arbitrárias nas ruas. Vídeos do incidente mostram agentes federais derrubando Pretti no chão, borrifando uma substância e, em seguida, atirando após uma tentativa de desarmá-lo – ele portava uma pistola semiautomática de 9mm com porte válido e sem antecedentes criminais além de infrações de trânsito.
A prefeitura classificou o episódio como uma perturbação grave da segurança pública causada pela presença de milhares de agentes federais de imigração nos bairros da cidade, o que levou à mobilização da Guarda Nacional para auxiliar a polícia local e serviços de emergência na proteção da comunidade, especialmente na área do tiroteio. Os membros da Guarda usarão coletes refletores neon para se diferenciar de outros agentes uniformizados e atuarão em contato próximo com a polícia de Minneapolis, podendo se deslocar para outros pontos se necessário. A administração municipal enfatizou que o pedido partiu exclusivamente das autoridades locais, sem qualquer envolvimento do governo federal.
Em resposta imediata, o Departamento de Polícia de Minneapolis instituiu um perímetro de restrição veicular no local do tiroteio, permitindo apenas tráfego residencial, e montou um posto de comando com apoio da Patrulha Rodoviária de Minnesota e forças da área metropolitana de Minneapolis-Saint Paul. O chefe de polícia, Brian O’Hara, pediu calma à população, reconhecendo a raiva generalizada, mas exigindo que agentes federais atuem com a mesma disciplina e integridade esperada da polícia local. “Sabemos que há muita raiva, mas também pedimos à nossa comunidade que mantenha a calma enquanto trabalhamos nos detalhes desta tragédia”, declarou O’Hara.
Autoridades democratas, incluindo o prefeito Frey, reagiram com indignação ao terceiro tiroteio envolvendo agentes federais na cidade – após a morte de Renee Good em 7 de janeiro e detenções controversas, como a de um homem em bermuda em casa e crianças em idade escolar, incluindo um menino de 5 anos. Frey criticou abertamente a administração Trump, clamando: “Pedimos que a administração Trump e a invasão de agentes federais abandonem a nossa cidade. Quantas pessoas mais precisam morrer?” Ele acrescentou que os agentes federais deveriam defender a América em vez de dividi-la. A diretora de Gestão de Emergências de Minneapolis, Rachel Sayre, com experiência em operações na Síria e no Iêmen, alertou para o impacto duradouro e intergeracional do trauma nas famílias, destacando o medo que paralisa idas ao supermercado ou à escola, mas elogiando a resposta pacífica da comunidade e o cuidado mútuo entre vizinhos.
A prefeitura emitiu nota pedindo que manifestantes se dispersem para garantir a segurança, com remoção de materiais para barricadas ou incêndios e extinção de focos. Sindicatos de funcionários públicos, como a AFGE Local 704, expressaram luto e revolta, exigindo justiça e corte de verbas ao Departamento de Segurança Interna, enquanto o DHS alegou que o tiro foi em legítima defesa, pois Pretti resistiu violentamente à desarmação. A tensão entre autoridades federais e locais escalou, com o Departamento de Justiça investigando o governador Walz e o prefeito Frey por suposta gestão inadequada dos protestos, e o Pentágono preparando 1.500 tropas para possível envio ao estado.
