Aniversário da capital SP é comemorado com tradicional bolo do Bixiga

O aniversário de São Paulo ganhou um tom festivo e comunitário neste domingo no bairro do Bixiga, no coração da capital paulista, onde um parabéns animado em ritmo de samba reuniu multidões em torno da tradicional distribuição de bolo. A celebração marca os 472 anos da cidade e transformou a Rua Rui Barbosa, na altura do número 300, em um ponto de encontro vibrante, com moradores, comerciantes e visitantes formando longas filas para receber porções generosas dos doces trazidos de porta em porta.

A tradição começou em 1986, idealizada por Armando Puglisi, o carismático Armandinho do Bixiga, figura lendária do bairro que também fundou o Museu Memória do Bixiga em 1981. Puglisi, nascido em 1931 na própria Bela Vista, dedicou a vida à preservação da história local, com itens doados por ele mesmo, como máquinas de fazer massas, garrafas de leite de entrega domiciliar e uniformes da escola de samba Vai-Vai. Após sua morte em dezembro de 1994, a tocha da festa passou para Walter Taverna, dono da Cantina da Conchetta, que ampliou o evento até falecer em 2022. Agora, aos cuidados da neta Thais Taverna, a comemoração resgata o espírito original, convidando a comunidade a contribuir com bolos simples ou recheados.

Nas edições iniciais, o bolo chegava a impressionantes 1,5 km de comprimento, crescendo um metro por ano para acompanhar a idade da metrópole, o que rendeu uma entrada no Guinness Book como o maior bolo de aniversário do mundo. Hoje, a festa ganha contornos mais coletivos: a recepção dos bolos ocorre das 9h às 12h30, com o corte simbólico e o parabéns às 13h, ao som de samba que ecoa pelas ruas estreitas do bairro boêmio. “Essa é uma tradição que passou de amigo para avô e depois para neta, e continuará para mãe, para os bisnetos e para toda a comunidade”, afirmou Thais Taverna.

O Bixiga, com sua rica tapeçaria cultural – berço da imigração italiana, do samba, dos teatros e do histórico Quilombo do Saracura –, pulsa com essa festa. Comerciantes, associações culturais e moradores se unem para montar mesas a céu aberto, garantindo que ninguém saia de mãos vazias. “Esse evento congrega, agrega e abraça toda a comunidade do bairro”, reforçou a organizadora, lembrando que a iniciativa começou com Armandinho pedindo às “mamas” do bairro para trazerem bolos à rua. “A tradição começou com Armandinho pedindo para as mamas trazerem o bolo aqui para o meio da Rua Rui Barbosa para comemorar o aniversário da cidade. Essa festa teve vários formatos. O meu avô pegou e transformou ela numa dimensão muito gigantesca, feita com cozinha industrial. Agora, a gente está resgatando essa história com a comunidade, pedindo de porta em porta para trazerem um bolo para a gente comemorar o aniversário. E sempre temos a intenção de bater a meta de fazer a quantidade de bolos relacionada à quantidade de anos da cidade”, explicou. “A gente não pode esquecer que esse bairro também é um berço da cultura: o berço da cultura do samba, dos teatros, da música e das artes. Temos aqui a história da imigração italiana e também a história do quilombo do Saracura. Ele faz parte da formação histórica da cidade de São Paulo”, ressaltou.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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