No Supremo, PF colhe depoimentos no caso da compra do Master pelo BRB

A Polícia Federal iniciou nesta segunda-feira os depoimentos de oito investigados no caso do Banco Master, com as oitivas realizadas no Supremo Tribunal Federal sob sigilo, por determinação do relator, ministro Dias Toffoli.

Por volta das 8h, o primeiro a prestar esclarecimentos foi Dario Oswaldo Garcia Júnior, diretor de Finanças e Controladoria do BRB, o banco estatal do Distrito Federal envolvido na negociação de ativos fraudulentos oriundos do Master. Ainda nesta segunda, estão agendados os depoimentos de André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de empresa investigada; Henrique Souza e Silva Peretto, empresário; e Alberto Felix de Oliveira, superintendente executivo de Tesouraria do Banco Master.

Na terça-feira, serão ouvidos Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB, e Luiz Antonio Bull, diretor de Compliance do Banco Master, ambos presencialmente no STF. Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Master, e o ex-sócio Augusto Ferreira Lima serão interrogados por videoconferência.

Os depoimentos foram concentrados em apenas dois dias por ordem de Toffoli, contrariando o planejamento inicial da PF, que previa oitivas ao longo de vários dias. Essa decisão é uma das que têm gerado insatisfação entre os investigadores. Anteriormente, o ministro determinou o envio direto de materiais apreendidos ao STF, procedimento atípico, pois o usual é a perícia prévia nas dependências da PF; depois, recuou e encaminhou o material à Procuradoria-Geral da República.

Toffoli tem enfrentado críticas por sua condução do processo, incluindo uma viagem em jatinho particular com um dos advogados do caso, feita quando já era relator. Revelações recentes apontam ligações de irmãos e um primo do ministro com um fundo de investimentos em resort no Paraná, conectado ao Master.

As investigações da Operação Compliance Zero, prorrogadas por 60 dias no último dia 16 de janeiro, apuram suspeitas de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento ou manutenção em erro de investidores, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. O foco está na aquisição pelo BRB de carteiras de crédito do Master sem lastro real – papéis que prometiam retornos até 40% acima da taxa básica de mercado, mas sem garantias de pagamento. O esquema pode envolver até R$ 12 bilhões, com indícios de participação de diretores e ex-diretores do BRB para maquiar ativos podres.

O BRB negociou a compra do Master em março, mas o Banco Central barrou o negócio e, em seguida, decretou a liquidação extrajudicial do Master por insolvência. Investidores foram resgatados pelo Fundo Garantidor de Crédito, que já desembolsou mais de R$ 26 bilhões. O dono do banco, Daniel Vorcaro, foi preso na primeira fase da operação em novembro, solto dias depois por decisão do TRF-1, e teve bens bloqueados na segunda fase.

O inquérito migrou da primeira instância para o STF após apreensão de documento mencionando um deputado federal com foro privilegiado, embora as suspeitas sobre o parlamentar não tenham se confirmado até o momento.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)