Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia revelam um aumento nos diagnósticos de câncer de pele no Brasil, que saltaram de 4.237 casos em 2014 para 72.728 em 2024. Esse crescimento, mais de 17 vezes maior em uma década, ocorre com maior exposição solar, predominância de peles claras e envelhecimento da população, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, onde as taxas de incidência são mais elevadas[1][2].
A projeção nacional para 2024 aponta 34,27 casos por 100 mil habitantes, um número ligeiramente inferior ao pico de 36,28 registrado em 2023[2]. No ranking estadual, o Espírito Santo lidera com 139,37 casos por 100 mil habitantes, seguido por Santa Catarina, com 95,65, e Rondônia, com 85,11, apesar de estar fora do eixo Sul-Sudeste[1][2]. Nas regiões Norte e Nordeste, as taxas são geralmente mais baixas, mas estados como Ceará, com 68,64, e Rondônia mostram elevações significativas[1][2]. A Sociedade Brasileira de Dermatologia atribui parte desses aumentos em áreas como Roraima, Acre e Amapá a avanços na vigilância epidemiológica, embora a subnotificação persista em zonas rurais e de difícil acesso[1][2].
O salto nos diagnósticos ganhou força a partir de 2018, quando passou a ser obrigatória a inclusão do Cartão Nacional de Saúde e da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) nos exames de biópsia[1][2]. Desigualdades no acesso à saúde complicam o quadro. Usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam 2,6 vezes mais dificuldades para marcar consultas com dermatologistas em comparação aos da saúde suplementar[1][2]. No SUS, o volume de atendimentos dermatológicos caiu de 4,04 milhões em 2019 para 2,36 milhões em 2020, mas recuperou-se gradualmente, alcançando 3,97 milhões em 2024, próximo ao nível pré-crise[1][2]. Na saúde privada, os números se mantêm bem superiores, ultrapassando 10 milhões de consultas anuais em 2019 e 2024, com taxas de 37,96 a 51,01 atendimentos por mil beneficiários entre 2019 e 2024[1][2]. Essa disparidade, que chegou a 3,4 vezes maior em 2020 e ainda é de 2,6 vezes em 2024, eleva as chances de detecção precoce de lesões suspeitas no setor privado, especialmente em melanomas, cuja porta de entrada é o exame clínico visual[1][2].
Essa desigualdade impacta diretamente a complexidade dos tratamentos. Quando o diagnóstico não é precoce, os pacientes recorrem a procedimentos mais invasivos e prolongados. Municípios do interior sofrem com vazios assistenciais e longos deslocamentos para os Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) e Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon)[1][2]. Estados como São Paulo, com 57 unidades (15 Cacons e 42 Unacons), Minas Gerais (31 unidades) e Rio Grande do Sul (28 unidades) concentram a maior oferta de serviços especializados[1][2]. Em contraste, Acre, Amazonas e Amapá têm apenas um Unacon cada, sem Cacons, o que resulta em diagnósticos em estágios avançados nessas regiões[1][2].
O tempo entre diagnóstico e tratamento também varia drasticamente: entre 2014 e 2025, o total de casos tratados cresceu no país, mas no Sul e Sudeste a terapia inicia em até 30 dias na maioria dos casos, enquanto no Norte e Nordeste a espera frequentemente supera 60 dias, aumentando o risco de agravamento[1][2]. Onde a rede é mais densa, como no Sudeste, os fluxos são ágeis e os registros completos[2].
A Sociedade Brasileira de Dermatologia defende medidas urgentes, como ampliar consultas na rede pública para promover o diagnóstico precoce, que eleva as chances de cura e reduz tratamentos complexos[1][2]. A entidade também busca sensibilizar parlamentares para incluir o protetor solar na lista de itens essenciais da Reforma Tributária, reduzindo impostos e ampliando o acesso ao produto[1][2]. Os dados foram enviados a deputados e senadores para impulsionar a regulamentação da Lei 14.758/2023, que cria a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no SUS e o Programa Nacional de Navegação para pacientes oncológicos[1][2].
