Gianni Infantino, presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), defendeu nesta segunda-feira que a Copa do Mundo de 2026, sediada por Estados Unidos, México e Canadá, será um momento de união entre povos em um mundo marcado por tensões políticas. Após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, em Brasília, ele minimizou especulações sobre um possível boicote de seleções europeias, motivado pelas ameaças do presidente norte-americano Donald Trump de anexar a Groenlândia e impor tarifas a nações que se oponham ao plano.
Infantino enfatizou o papel integrador do futebol, afirmando que eventos como o Mundial masculino ou o feminino reúnem pessoas, países e o mundo inteiro. Ele destacou o entusiasmo global pelo torneio, revelando que a Fifa recebeu mais de 500 milhões de pedidos de ingressos para os cerca de 6 milhões disponíveis. “As pessoas querem ir, vão celebrar juntas o futebol. Precisamos de ocasiões que unam as pessoas, especialmente no mundo de hoje”, declarou o dirigente, olhando sempre para o futuro e evitando alimentar polêmicas.
As tensões giram em torno das declarações de Trump, que justifica a intenção de controlar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, como questão de segurança nacional dos Estados Unidos, citando a presença de navios russos e chineses na região ártica. O presidente americano ameaçou elevar tarifas sobre produtos europeus de 10% para 25% caso países como Dinamarca, França, Noruega e Suécia não apoiem a iniciativa. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, rejeitou veementemente a ideia, lembrando que a Dinamarca integra a Otan e já concede acesso amplo aos Estados Unidos na ilha, apelando para o fim das ameaças contra aliados históricos.
Apesar da oposição europeia, a França sinalizou que não boicotará o evento. A ministra dos Esportes, Marina Ferrari, afirmou que não há intenção de retirar a seleção da competição. “Não vou me antecipar ao que poderá acontecer, mas acredito na separação entre esporte e política. A Copa do Mundo é um momento extremamente importante para quem ama o esporte”, declarou ela, segundo a agência Reuters. Parlamentares europeus e até o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, criticaram o torneio nos Estados Unidos por questões de segurança e políticas de imigração, mas Infantino rebateu com os números recorde de ingressos, prevendo uma celebração coletiva.
A edição de 2026 marca uma novidade histórica: será a primeira Copa disputada em três países e com 48 seleções participantes, começando em 11 de junho na Cidade do México. No encontro com Lula, Infantino também discutiu o futuro do futebol no Brasil, que sediará a Copa do Mundo Feminina em 2027. A expectativa é receber 3 milhões de torcedores, com foco em impulsionar o esporte feminino e causas como o combate à violência contra a mulher e ao feminicídio. “Tudo está pronto no Brasil e vamos trabalhar na educação deste tema”, afirmou o presidente da Fifa.
O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, que participou da agenda, revelou planos de candidatar o país ao Mundial de Clubes de 2029. “O Brasil está apto a receber esse evento grandioso, mas requer conversas e ajustes. Vamos apresentar nossa candidatura”, disse ele, reforçando a estrutura nacional para grandes competições.
