O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, saiu em defesa pública do colega Dias Toffoli nesta segunda-feira, destacando a regularidade de sua atuação como relator do inquérito sobre fraudes no Banco Master. Em postagem nas redes sociais, Mendes enfatizou que Toffoli possui uma trajetória marcada pelo compromisso com a Constituição e o funcionamento regular das instituições, e que sua conduta observa os parâmetros do devido processo legal.
A declaração ocorre em meio a críticas à permanência de Toffoli na relatoria do caso, especialmente após reportagens revelarem que fundos ligados ao Banco Master adquiriram a participação de familiares do ministro em um resort no Paraná, na cidade de Ribeirão Claro. A transação envolveu Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, principal investigado. Além disso, Toffoli já enfrentava questionamentos por decisões como a restrição de acesso da Polícia Federal a celulares apreendidos em operações e a determinação de acareação entre técnicos do Banco Central e executivos do banco.
Mendes reforçou que a Procuradoria-Geral da República analisou a questão e reconheceu a regularidade da permanência de Toffoli no processo, negando pedidos para seu afastamento. O decano acrescentou que a preservação da independência judicial e o respeito às instâncias institucionais são essenciais para o diálogo republicano e a confiança da sociedade nas instituições.
O inquérito investiga fraudes bilionárias no Banco Master, estimadas em até R$ 17 bilhões, incluindo a concessão de créditos falsos e uma tentativa de aquisição da instituição pelo Banco Regional de Brasília, ligado ao governo do Distrito Federal. A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025, mirou Vorcaro, ex-diretores como Luiz Antonio Bull, Alberto Feliz de Oliveira e Angelo Antonio Ribeiro da Silva, além de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banco.
Em dezembro do ano passado, Toffoli determinou que a investigação prosseguisse no STF, devido à citação de um deputado federal, que possui foro privilegiado na Corte, transferindo o caso da Justiça Federal em Brasília. Outros episódios incluem uma viagem de Toffoli em jatinho particular com o advogado do banco, Augusto Arruda Botelho, para assistir à final da Libertadores em Lima, no Peru.
A defesa de Mendes ampliou as tensões internas no STF. O presidente Edson Fachin, em entrevista recente, defendeu a criação de um código de conduta para os ministros como medida de transparência e proteção institucional, sem avaliar condutas individuais. Na semana passada, Fachin emitiu nota afirmando que Toffoli atua em regular supervisão judicial e que eventuais irregularidades serão examinadas pelos trâmites regimentais.
