O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, enviou nesta segunda-feira um ofício à Agência Nacional de Mineração cobrando providências imediatas para o extravasamento de água registrado na mina Viga, da Vale, em Congonhas, Minas Gerais. O incidente, ocorrido em menos de 24 horas após outro vazamento na região, provocou danos ambientais ao atingir o Rio Maranhão, embora não tenha havido vítimas nem bloqueio de vias ou comunidades afetadas diretamente.
Este é o segundo episódio envolvendo estruturas da Vale na área. No domingo, uma cava da mina de Fábrica, localizada entre Congonhas e Ouro Preto, registrou extravasamento de cerca de 263 mil metros cúbicos de água turva com sedimentos, minério e materiais de beneficiamento mineral. O fluxo atravessou o dique Freitas, carregando rejeitos e causando impactos ambientais, além de alagamentos na unidade Pires da CSN Mineração, em Ouro Preto. Áreas como almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas e setor de embarque foram inundadas, mas as operações da CSN não foram interrompidas e as estruturas de contenção de sedimentos continuaram funcionando normalmente. A ocorrência aconteceu em zona rural, distante do centro histórico de Ouro Preto, sem registrar feridos.
Em resposta aos vazamentos, Silveira determinou a abertura de processo administrativo para apurar responsabilidades, o acionamento de órgãos federais, estaduais e municipais para fiscalização rigorosa e a possibilidade de interdição das operações, se necessário, priorizando a segurança das comunidades e a proteção ambiental. O primeiro ofício foi enviado no domingo, referente à mina de Fábrica, e o segundo nesta segunda, sobre a mina Viga, que fica a cerca de 25 quilômetros de distância da outra.
O Ministério Público de Minas Gerais investiga o caso da mina de Fábrica, com uma equipe do Núcleo de Combate aos Crimes Ambientais visitando o local e elaborando relatório preliminar. O MP solicitou informações às defesas civis estadual e municipais de Congonhas e Ouro Preto. Em Congonhas, foi montada uma sala de crise com participação de defesas civis locais, Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Secretaria de Meio Ambiente e o Ministério Público. A prefeitura aplicou auto de infração à Vale pelo incidente na Fábrica, destacando riscos ambientais e sociais, como perda de biodiversidade, redução de oxigênio e luminosidade na água, assoreamento dos rios e maior propensão a enchentes. O Rio Goiabeiras, afetado no primeiro vazamento, é afluente do Rio Maranhão, que deságua no Paraopeba.
A Vale, em comunicado ao mercado, afirmou que ambos os extravasamentos foram contidos, sem relação com barragens que permanecem estáveis e monitoradas 24 horas por dia, e envolveram apenas água com sedimentos, sem carreamento de rejeitos. A empresa reforça inspeções preventivas, especialmente no período chuvoso, e investiga as causas para incorporar aprendizados aos planos de contingência. A Defesa Civil estadual segue avaliando os impactos, enquanto prefeituras de Congonhas e Ouro Preto monitoram a situação.
