O governo de Minas Gerais anunciou medidas rigorosas contra a Vale após dois vazamentos consecutivos em suas minas na cidade de Congonhas, na Região Central do estado. O primeiro incidente ocorreu na madrugada de domingo (25), na mina de Fábrica, localizada na divisa com Ouro Preto, quando uma estrutura transbordou, liberando água com sedimentos que causaram alagamentos em áreas da unidade Pires da CSN Mineração, incluindo almoxarifado, oficinas mecânicas e acessos internos. Apesar dos danos materiais, não houve interrupção das operações da CSN nem feridos, e as estruturas de contenção de sedimentos da empresa continuaram funcionando normalmente.
Menos de 24 horas depois, na tarde de domingo, um novo extravasamento foi registrado na mina de Viga, entre as localidades de Plataforma e Esmeril, com água turva alcançando o Rio Maranhão. A prefeitura de Congonhas, acompanhada pela Defesa Civil, confirmou impactos ambientais, como carreamento de sedimentos, assoreamento de afluentes e arraste de árvores e rochas, alterando cursos d’água. Autoridades locais estimam que cerca de 263 mil metros cúbicos de água com minério e materiais de beneficiamento foram liberados no primeiro caso, afetando matas ciliares.
Em resposta, o governo estadual, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, determinou ações emergenciais à Vale, como limpeza imediata das áreas afetadas, monitoramento dos rios e elaboração de um plano de recuperação ambiental para desassoreamento e restauração das margens. A mineradora será multada por poluição, degradação de recursos hídricos e por não comunicar os incidentes em até duas horas, conforme exigido. A prefeitura de Congonhas suspendeu alvarás de funcionamento da empresa devido ao atraso de sete horas na notificação e aos prejuízos ambientais e estruturais, com o prefeito Anderson Cabido destacando a falta de monitoramento contínuo da estrutura rompida.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, interveio enviando ofício à Agência Nacional de Mineração cobrando solução imediata para o vazamento na mina de Viga, com possibilidade de interdição das operações para proteger comunidades e meio ambiente. Ele também exigiu investigação para apurar responsabilidades, em meio a um processo administrativo já aberto para o caso de Fábrica. Os episódios coincidiram com o sétimo aniversário da tragédia de Brumadinho, ampliando preocupações em uma região já marcada por insegurança com barragens como a de Casa de Pedra.
Para coordenar as ações, foi criada uma sala de crise com defesas civis de Congonhas e Ouro Preto, Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas e Ministério Público de Minas Gerais. A Vale, em nota, afirmou que ambos os vazamentos foram contidos rapidamente, sem afetar populações próximas, sem relação com barragens – que permanecem estáveis e monitoradas 24 horas por dia – e envolvendo apenas água com sedimentos, sem carreamento de rejeitos. A empresa investiga as causas, reforça inspeções preventivas no período chuvoso e promete incorporar aprendizados aos planos de contingência. Equipes técnicas da ANM e Defesa Civil Estadual seguem avaliando os locais, com atualizações pendentes.
