A **Agência Nacional de Mineração (ANM)** garantiu que os recentes vazamentos de água em minas da Vale, no interior de Minas Gerais, não comprometeram as estruturas de barragens ou pilhas de mineração. Os incidentes ocorreram no Complexo Mina de Fábrica, entre Congonhas e Ouro Preto, e na Mina Viga, em Congonhas, sem registro de ruptura, colapso ou falha estrutural nessas áreas[1][5].
Nos últimos dias, dois vazamentos foram registrados na região. O primeiro, na madrugada de domingo (25), partiu de uma cava da Mina de Fábrica, após o rompimento de uma barreira de contenção. O material, composto por 263 mil metros cúbicos de água turva com sedimentos, minério e outros resíduos do beneficiamento mineral, atravessou o dique Freitas, provocou impactos ambientais e atingiu instalações da CSN na unidade Pires, em Ouro Preto, causando alagamentos em almoxarifado, oficinas e acessos. A lama seguiu para o rio Goiabeiras, que corta áreas urbanas de Congonhas, e alcançou o rio Maranhão, na região central da cidade, gerando assoreamento e danos a matas ciliares[1][3][5][6].
Menos de 24 horas depois, um segundo extravasamento aconteceu na Mina Viga, a cerca de 22 km do primeiro local, na estrada Esmeril. Ali, um sumidouro – tanque secundário de drenagem – transbordou, lançando água para o rio Maranhão. A Defesa Civil estadual e municipais de Congonhas e Ouro Preto foram mobilizadas para avaliar os impactos, sem relatos de feridos ou bloqueio de vias[1][3][5].
A Vale suspendeu imediatamente as operações nas duas minas, atendendo a ofício da prefeitura de Congonhas, que determinou a paralisação dos alvarás de funcionamento e a adoção de medidas emergenciais de controle, monitoramento e mitigação ambiental. Em comunicados ao mercado, a empresa afirmou que os vazamentos foram contidos, sem afetar populações ou comunidades próximas, e que não houve carreamento de rejeitos, apenas água com sedimentos. As barragens da região, monitoradas 24 horas por dia, permanecem estáveis. A companhia investiga as causas, associadas a infraestrutura operacional e planos de chuva, e promete incorporar lições aprendidas[1][2][3][5].
O governo de Minas Gerais identificou danos ambientais, como carreamento de sedimentos e assoreamento de afluentes do rio Maranhão, e anunciou multa à Vale, além de exigência de limpeza imediata, monitoramento dos cursos d’água e plano de recuperação. A prefeitura de Congonhas aplicou auto de infração e suspendeu atividades, condicionando o retorno a compensações ambientais. Equipes da Secretaria de Meio Ambiente municipal e estadual estão no local avaliando a extensão dos prejuízos, incluindo arraste de árvores, rochas e alterações no curso dos rios[2][6].
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, cobrou da ANM uma solução imediata e efetiva para o caso da Mina Viga, chegando a considerar, se necessário, a interdição das operações para proteger comunidades e o meio ambiente. A agência confirmou que o evento na Mina de Fábrica foi ligado a infraestrutura operacional, e fiscais seguem em campo[2][5].
