Ato no Rio pede justiça pela morte de Thiago Menezes Flausino

Na manhã desta terça-feira, um ato em frente ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro reuniu familiares, ativistas e moradores para cobrar justiça pelo assassinato do estudante Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, ocorrido em 7 de agosto de 2023. Os policiais militares Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria, acusados de homicídio e fraude processual, iniciaram o julgamento por júri popular no local, em sessão marcada para as 13h.

Thiago, cujo sonho era se tornar jogador de futebol profissional, foi morto enquanto andava na garupa de uma motocicleta na Estrada Marechal Miguel Salazar Mendes de Moraes, principal via de acesso à Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio. Ele foi atingido por três disparos de arma de fogo – um na parte traseira da perna, outro nas costas e um terceiro que perfurou as duas canelas –, sem portar arma ou haver confronto no momento. Testemunhas relatam que o adolescente e o condutor da moto caíram ao perderem o equilíbrio e foram surpreendidos por disparos de um carro descaracterizado, de onde saiu um dos ocupantes atirando. O condutor conseguiu fugir, mas Thiago ficou no local e foi executado mesmo imobilizado, conforme imagens de câmeras de segurança.

Os PMs, lotados no Batalhão de Polícia de Choque, admitiram em depoimento terem efetuado os disparos contra o jovem. Eles também respondem por fraude processual ao tentarem implantar uma arma de fogo na cena do crime para forjar a versão de um confronto armado, inicialmente divulgada pela corporação em três narrativas diferentes: uma de criminoso ferido em confronto, outra de troca de tiros após queda de moto e uma terceira de garupa de motociclista que atirou. A investigação da Delegacia de Homicídios da Capital e do Ministério Público comprovou que nem Thiago nem o condutor tinham ficha criminal ou ligação com o tráfico.

Priscila Menezes Gomes de Souza, mãe de Thiago, que deixou pai, mãe e três irmãs, desabafou durante o ato: “É um momento muito difícil para a família porque nada vai trazer ele de volta, mas é o mínimo que a justiça seja feita. Eles tentaram incriminar o Thiago, mas eles é que cometeram um crime e vão sentar no banco dos réus”. A família acusa a PM de adulterar imagens de câmeras para ocultar a execução e destaca que o local foi preservado apenas superficialmente.

Inicialmente, quatro PMs foram identificados e presos como envolvidos. Em junho de 2025, o Tribunal de Justiça soltou dois deles, entendendo que não participaram diretamente do homicídio. A Anistia Internacional acompanha o caso desde o início. Sua diretora-executiva, Jurema Werneck, criticou a demora da Justiça: “Foi uma grave violação de direitos humanos em que tudo foi feito errado. Foi feito errado a polícia suspeitar, julgar e matar de forma instantânea um menino de 13 anos. Nossa expectativa é que o Tribunal do Júri faça justiça. Já está demorando demais. Enquanto demora, é injustiça”.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)