Gleisi Hoffmann defende fim da escala 6×1 e prioridades do governo para 2026

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o fim da escala de seis dias de trabalho por um de folga, conhecida como 6×1, é prioridade do governo federal neste ano. Ela disse que o governo pode enviar um projeto para unificar as propostas que já tramitem no Congresso sobre o tema.

Em conversa com a imprensa, Gleisi destacou que, após o ajuste do salário mínimo com aumento real, a geração de empregos e a isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil, é hora de cuidar da qualidade de vida da população.

Ela afirmou que não é possível que as pessoas tenham apenas um dia por semana para descansar e para cumprir afazeres domésticos, o que atinge principalmente as mulheres. O presidente Lula está determinado a avançar nesse tema.

Segundo Gleisi, o presidente da Câmara, Hugo Motta, é simpático em colocar o tema em discussão, e cabe ao governo defender a aprovação.

Para Gleisi, o projeto tem apoio popular e, assim como a isenção do IR, deve contar com o respaldo de todo o parlamento.

Ela lembrou que o IR foi aprovado por unanimidade nas duas casas do Congresso e que, diante da opinião pública, a casa se mostra sensível; alguns setores produtivos, como a indústria, já trabalham com escala diferenciada.

No sentido legislativo, no dia 2 de fevereiro Câmara e Senado retomam os trabalhos. Além do fim da escala 6×1, o governo incluiu entre as prioridades a assinatura de acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, a regulamentação do trabalho por aplicativos, a PEC da Segurança Pública e o projeto de lei antifacção, além de medidas provisórias como a criação do programa Gás do Povo e do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, entre outras ações.

Também está nos planos manter o veto ao projeto de lei conhecido como Dosimetria, aprovado pelo Congresso em dezembro. O texto prevê a redução de penas de condenados por atos democráticos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe de Estado.

Conforme Gleisi, há conversas com líderes e deputados para manter o veto, e o governo considera esse processo de responsabilização dentro do devido processo legal, sendo pedagógico e importante para a democracia.

Gleisi afirmou ainda que os Três Poderes assinarão um pacto pelo enfrentamento ao feminicídio no próximo dia 4 de fevereiro, como parte das prioridades do presidente Lula.

Sobre as emendas parlamentares, o tema está pacificado. O Orçamento de 2026 prevê cerca de 61 bilhões de reais em emendas, sendo aproximadamente 37,8 bilhões destinadas às emendas impositivas. O governo deverá antecipar pelo menos 65% das emendas impositivas até julho, por meio de transferências diretas ou fundo a fundo.

As emendas são objeto de debate, inclusive no Supremo Tribunal Federal, em relação à transparência na destinação dos recursos, conhecido como orçamento secreto.

Na conversa, Gleisi também tratou das investigações sobre fraudes financeiras do Banco Master, afirmando que há uma tentativa da oposição de vincular pessoas do governo ao proprietário Daniel Vorcaro, incluindo o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e o próprio presidente Lula, que, segundo informações da imprensa, tivera encontro com o banqueiro em dezembro de 2024.

O presidente recebe muita gente, e isso é da natureza do cargo, disse Gleisi, acrescentando que o governo orientou que o caso fosse acompanhado com rigor da lei e com investigação técnica.

Sobre Lewandowski, a nota divulgada pelo ex-ministro explica que, ao deixar a Corte em abril de 2023, ele voltou à advocacia e prestou serviços de consultoria ao Banco Master, mas deixou de atuar como advogado da instituição após ser convidado pelo presidente Lula para atuar no governo federal.

Ela lembrou ainda que toda a apuração da Polícia Federal sobre o Banco Master foi conduzida durante a gestão de Lewandowski no Ministério da Justiça.

Foi na gestão do ministro Lewandowski que o presidente do Master, Vorcaro, foi preso, conforme informações da Polícia Federal.

Em novembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro e outros acusados foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para investigar a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição pelo BRB, banco ligado ao governo do Distrito Federal. Segundo as investigações, as fraudes podem chegar a 17 bilhões de reais.

Para Gleisi, a oposição tem mais explicações a dar do que o governo, citando a tentativa de compra do BRB e a suspeita de operações financeiras da Rioprevidência com o Banco Master. Os governadores do Distrito Federal e do Rio de Janeiro são, respectivamente, Ibaneis Rocha (MDB) e Cláudio Castro (PL), e têm atuação de oposição ao governo Lula.

Fonte: Agência Brasil