A violência contra animais tem gerado intenso debate no Brasil nas últimas semanas, após o espancamento do cão comunitário Orelha por quatro adolescentes em Florianópolis, Santa Catarina. A punição dos responsáveis e a banalização da violência estão no centro das discussões, assim como a prevenção, ressocialização e medidas educativas.
A Agência Brasil consultou ONGs dedicadas ao apoio a animais abandonados ou vítimas de violência, além da prefeitura de São Paulo, que gerencia um dos maiores programas públicos de adoção e educação ambiental. O objetivo foi entender como o contato e cuidados com animais podem prevenir e interromper ciclos de violência.
O Instituto Ampara Animal, atuante há 15 anos, iniciará a campanha ‘Quebre o Elo’, destacando a gravidade da violência. A organização acredita que a violência contra animais pode refletir outras violências vivenciadas pelos agressores e serve como indicador de possíveis agressões contra grupos vulneráveis, como crianças, mulheres e idosos.
Rosângela Gerbara, diretora de relações institucionais da Ampara, defende uma educação que vá além de uma visão antropocêntrica, promovendo o bem-estar animal. Ela acredita que a educação é essencial para transformar a vida dos animais, especialmente quando direcionada a crianças e adolescentes.
Viviane Pancheri, voluntária na ONG Toca Segura, também destaca a importância de quebrar a visão dos animais como objetos. A Toca desenvolveu iniciativas em escolas do Distrito Federal, promovendo uma educação empática que ensina as crianças sobre os sentimentos e necessidades dos animais.
No abrigo da Toca, famílias participam como voluntárias, ajudando a desenvolver valores e a percepção do cuidado através da interação com os cães. A organização promove eventos, como os domingos de passeio, para acostumar os animais à presença humana e facilitar sua adoção.
A prefeitura de São Paulo, com seus abrigos públicos, mantém um centro de adoções que promove a guarda responsável e a educação ambiental. O espaço recebe grupos escolares para mediar o contato com os animais e conscientizar as crianças, que atuam como multiplicadoras em suas comunidades.
Telma Tavares, da Secretaria Municipal de Saúde, explica que a sensibilização é usada como porta de entrada para orientações. O projeto Superguardiões, iniciado em 2019, e o programa Leituras, que envolve crianças lendo para os animais, são exemplos de iniciativas que facilitam a adoção e promovem práticas sustentáveis.
