Dentre os 68 mil imigrantes detidos nos Estados Unidos, 73% não possuem antecedentes criminais, segundo dados do Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC) da Universidade de Syracuse, referentes ao final de 2025. O TRAC destaca que muitos dos condenados cometeram apenas delitos menores, como infrações de trânsito.
O governo de Donald Trump, por meio do Serviço de Alfândega e Imigração (ICE), afirma dedicar-se a deter ‘criminosos’ que colocariam em risco a segurança pública. No entanto, o Conselho Americano de Imigração calcula que a prisão de imigrantes sem antecedentes criminais aumentou 2.450% durante seu governo.
Nesta semana, foi divulgada a detenção do influencer brasileiro Júnior Pena, conhecido por compartilhar informações sobre imigração. Pena, que apoiava as políticas de Trump, foi detido por não comparecer a uma audiência de imigração, após ter entrado no país de forma irregular.
O Conselho Americano de Imigração destaca que as detenções são usadas para forçar deportações, com um aumento significativo no número de deportações diretas em comparação a liberações enquanto aguardam audiências. A detenção de imigrantes aumentou 75% no segundo governo Trump, com expectativas de atingir 100 mil detidos no início de 2026.
Operações do ICE incluem batidas indiscriminadas e prisões colaterais, dificultando a liberação e pagamento de fianças. Prisões em massa aumentaram 600%, e as liberações discricionárias caíram 87% em 2025.
O professor James N. Green, da Universidade de Brown, aponta violações nos procedimentos de detenção de imigrantes. Ele destaca que imigrantes têm o direito de não responder ao ICE, mas muitos desconhecem esse direito.
Empresas de segurança e prisões privadas têm lucrado com o aumento das detenções, com o ICE utilizando 104 instalações a mais do que no início do ano. O aumento das detenções tem piorado a qualidade dos centros, resultando em 30 mortes sob custódia do ICE em 2025.
Casos de sarampo no Texas levaram centros de detenção a entrar em quarentena. Imigrantes são frequentemente transferidos entre estados, dificultando o contato com familiares e a contestação de detenções.
