O Conselho Presidencial de Transição (CPT) do Haiti encerrou seu mandato de dois anos neste sábado (7), após ameaças dos Estados Unidos de intervir caso o poder não fosse mantido com o gabinete do primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé.
Em cerimônia em Porto Príncipe, o presidente do CPT, Laurent Saint-Cyr, afirmou que o Conselho encerra sua participação no poder Executivo sem deixar o Haiti em um vazio de poder. Segundo ele, o Conselho dos Ministros, sob a direção do primeiro-ministro, garantirá a continuidade, com foco em segurança, diálogo político, eleições e estabilidade.
Desde 2016 sem realizar eleições, o CPT tomou posse em abril de 2024 para conduzir uma transição após a renúncia do primeiro-ministro Ariel Henry, que assumiu após o assassinato do presidente Jovenel Moïse em 2021. O Conselho, formado por nove conselheiros de diferentes setores, tinha a missão de preparar eleições e retomar áreas controladas por gangues.
Às vésperas de encerrar o mandato, o CPT anunciou a intenção de destituir o primeiro-ministro Fils-Aimé, levando o governo dos EUA a enviar três navios de guerra à Baía de Porto Príncipe para garantir sua permanência. A embaixada dos EUA afirmou que a presença dos navios reflete o compromisso com a segurança e a estabilidade do Haiti.
O professor Ricardo Seitenfus, especialista em Haiti, afirmou que houve uma tentativa de tirar Fils-Aimé do cargo antes do término do mandato do CPT. Ele destacou que a situação de segurança melhorou, com o governo retomando controle de territórios ocupados por gangues.
Desde o assassinato de Moïse, o governo haitiano anunciou medidas para estabelecer segurança e realizar eleições, incluindo um acordo com o Quênia para auxiliar a polícia local e a criação de uma Força Multinacional de Repressão a Gangues aprovada pela ONU.
