O jornalista Rafael Cardoso lançou nesta semana no Rio de Janeiro o livro ‘Autobiografias de escravizados: Frederick Douglass, William Grimes e abolicionismo nos Estados Unidos’, pela editora Dialética.
Fruto do mestrado em história na Universidade Federal do Estado do Rio (UNIRIO), a publicação inverte a tendência comum nas ciências sociais: em vez de um brasilianista norte-americano pesquisar sobre o Brasil, é um estudioso brasileiro que observa os Estados Unidos.
Cardoso destaca que não se deve limitar o olhar apenas ao que é mais próximo, justificando seu interesse pela escravidão em outro país. Ele observa a diferença na disponibilidade de material de pesquisa, com centenas de relatos escritos de pessoas que fugiram do sul escravista dos EUA para o norte abolicionista.
No Brasil, sem relatos escritos por escravizados, a maioria analfabeta, os historiadores reconstruíram a história com documentos de cartório, certidões de batismo e fontes gerenciais. A única exceção é a ‘Biografia de Mahommah Gardo Baquaqua’, um homem nascido no atual Benim, que foi levado para o trabalho escravo em Olinda e depois libertado em Nova York.
Cardoso escolheu como personagens da pesquisa Frederick Douglass e William Grimes, ambos da segunda ou terceira geração de escravizados nos EUA. Eles publicaram autobiografias que revelam mudanças sociais no país escravista ao longo de 30 anos.
Nas experiências individuais, o historiador identifica como eram os lugares onde viveram, laços familiares, relações sociais e o contexto político, mostrando como esses fatores influenciam a vida dos indivíduos.
Para Cardoso, que trabalha com pautas sociais e ambientais na Agência Brasil, estudar história aprimora a visão crítica e analítica, recursos essenciais para seu trabalho como repórter.
