Com olhos emocionados e sorriso no rosto, a professora carioca Carmen Araújo, de 59 anos, participou de uma folia pré-carnavalesca em Brasília neste domingo (8). Ela, que cuida do pai há 15 anos, diagnosticado com Alzheimer, aproveitou o momento para cuidar de si mesma.
Carmen faz parte do coletivo ‘Filhas da Mãe’, fundado em 2019 para apoiar cuidadores, principalmente mulheres, de familiares com doenças demenciais. Durante o carnaval, o coletivo se transforma em bloco carnavalesco. ‘Se a gente não se cuidar, adoecemos também’, explica Carmen, que herdou o amor pelo carnaval do pai, hoje com 89 anos.
Uma das fundadoras do coletivo, a psicanalista Cosette Castro, compartilha que a ideia surgiu das experiências pessoais ao cuidar da mãe, que faleceu há cinco anos. ‘As pessoas falam muito de remédio, mas ninguém olha para nós que cuidamos e enfrentamos sobrecarga’, considera. O coletivo atende cerca de 550 pessoas, oferecendo apoio e promovendo a saúde.
Cosette destaca a importância de recuperar a criança interior e afirma que eventos como caminhadas e exposições ajudam a informar e apoiar cuidadores. Márcia Uchôa, de 69 anos, também fundadora, cuida da mãe Maria, de 96, que ama música e crochê. ‘A gente precisa se cuidar e o carnaval está dentro da gente’, afirma.
Ao lado do ‘Filhas da Mãe’, o coletivo ‘Me chame pelo nome’ também desfilava em Brasília, promovendo inclusão e combatendo o preconceito com uma fanfarra formada por pessoas com deficiência. Segundo Aline Zeymer, coordenadora do grupo, este é o segundo carnaval do coletivo, que busca promover resistência e cuidado através da arte.
