Ainda criança, a estudante Raíssa Cristine de Medeiros Ferreira, hoje com 17 anos, recebeu um ultimato da mãe: ‘Quando você crescer, eu vou te forçar a fazer um curso de química’. Prestes a concluir o ensino médio com técnico em Química no Instituto Federal do Rio de Janeiro, ela realmente vislumbra se tornar uma cientista.
Raíssa é a expressão de um movimento celebrado em todo o mundo no Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, criado em 2015 pela ONU para chamar a atenção para a desigualdade de gênero nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).
Isso deu início a um movimento seguido por diversas instituições científicas, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que desde 2020 oferece uma imersão de verão para estudantes de ensino médio. Raíssa participou pela primeira vez em 2025 e gostou tanto que repetiu a dose este ano, levando uma amiga, Beatriz Antônio da Silva.
Assim como Raíssa, Beatriz começou a se interessar pela carreira científica após o convite de uma professora de física que desenvolve um projeto para estimular a entrada de meninas negras na área. Beatriz Duqueviz, analista de gestão em saúde pública, explica que o programa da fundação atua em três frentes: reconhecimento e valorização das cientistas mulheres, pesquisas sobre gênero e estímulo ao interesse pela ciência entre meninas.
Na imersão de verão deste ano, 150 alunas foram selecionadas para passar três dias conhecendo os trabalhos e em contato com pesquisadoras de 13 unidades da Fundação. Duane de Souza, de 17 anos, que mora em Bangu, ficou sabendo da seleção pública para o programa após ver um post nas redes sociais.
Beatriz Duqueviz explica que a programação é pensada para apresentar a ciência real às estudantes, muito diferente dos estereótipos. As estudantes percorrem laboratórios com microscópios e provetas, mas também têm a oportunidade de conhecer espaços como o Laboratório de Conservação Preventiva e a Revista Cadernos de Saúde Pública.
A co-editora chefe da revista, Luciana Dias de Lima, acredita que isso é essencial para que as estudantes compreendam as muitas dimensões do trabalho científico. Sulamita do Nascimento Morais, de 17 anos, já sabe que seu lugar é onde ela quiser e deseja estudar ciência da computação, desafiando os estereótipos de gênero.
