Ao lado de tradicionais agremiações do carnaval como Império Serrano e Estácio de Sá, escolas de samba mais jovens participam da disputa da Série Ouro do Rio de Janeiro, desfilando neste sábado (14). A vitória garante uma vaga no Grupo Especial em 2027.
Entre as escolas mais novas está a União de Maricá, fundada em 2015. Em 2026, a escola desfila pela terceira vez na Série Ouro, trazendo o renomado carnavalesco Leandro Vieira, vencedor do grupo com a Império Serrano em 2022 e detentor de títulos no Grupo Especial com a Mangueira e Imperatriz Leopoldinense.
O enredo da Maricá para este ano é ‘Berenguendéns e Balangandãs’, uma ideia antiga de Vieira que busca narrar ‘um pouco a história que a história não conta’, em referência ao enredo da Mangueira de 2019. Balangandãs são joias da cultura negra no Brasil, mas o enredo vai além do ornamento, explorando histórias de identidade, rebeldia e transgressão protagonizadas por mulheres negras.
Leandro Vieira destaca que essas mulheres, com suas joias, conquistaram uma liberdade própria, diferente da narrativa comum sobre a liberdade negra no Brasil. O enredo tem um caráter pedagógico, buscando popularizar uma história de luta e transgressão, motivo de orgulho para a comunidade.
A Maricá, segundo Vieira, entende cada vez mais a importância de seu território e da participação comunitária. ‘Toda escola de samba, todo projeto de carnaval é, antes de qualquer coisa, uma ideia’, afirmou ele, ressaltando o papel da comunidade em abraçar e fazer crescer essa ideia.
Outra escola jovem na disputa é a Botafogo Samba Clube, criada em 2018. Após estrear na Série D em 2019, a escola chegou à Série Ouro em 2025, tornando-se a primeira ligada a um time de futebol a desfilar na Marquês de Sapucaí.
O enredo para 2026 é ‘O Brasil que floresce em arte’, uma homenagem ao paisagista Roberto Burle Marx, desenvolvido pelos carnavalescos Raphael Torres e Alexandre Rangel. Eles queriam um tema que permitisse liberdade criativa, resultando em uma homenagem a Burle Marx.
O desfile aborda as pinturas abstratas que inspiraram os jardins modernistas de Burle Marx, sua invenção do paisagismo moderno e o amor pela flora brasileira. As expedições de Burle Marx pelos biomas do Brasil serão destacadas, culminando com uma alegoria sobre o Sítio de Burle Marx, agora patrimônio mundial.
