Considerado um dos principais polos de resistência cultural e uma janela para a música independente e multicultural no Brasil, o Festival Rec-Beat comemora 30 anos mantendo a vitalidade e inquietação que marcaram sua origem.
Fundado em 1995 por Antonio Gutierrez, o Gutie, o Rec-Beat construiu uma trajetória pautada pela diversidade, onde diferentes públicos, estéticas e gerações se encontram em meio ao frenesi do Carnaval pernambucano.
O festival começou no sábado de Carnaval e vai até a terça-feira, transformando o Cais da Alfândega, no Recife, em um território de experimentação e descoberta de novas ideias musicais, unindo tradições e vanguardas.
Entre os destaques desta edição, que dialoga com cenas do Brasil, América Latina e África, estão artistas como NandaTsunami, AJULLIACOSTA, Carlos do Complexo e Jadsa, além de Djonga, Johnny Hooker, Chico Chico, Josyara e Felipe Cordeiro, que celebra 20 anos de carreira.
Em entrevista à Agência Brasil, Gutie falou sobre a dinâmica do festival, seus causos e a cena dos festivais independentes no país. Ele destacou a criação do selo Moritz, focado em DJs, que pretende se tornar um evento autônomo.
Gutie relembrou o início do Rec-Beat nos anos 90, em meio ao boom do Manguebeat no Recife, e como o festival evoluiu de uma festa em um casarão para um evento que atrai artistas nacionais e internacionais.
O festival, que acontece durante o Carnaval, complementa a diversidade da festa, sem competir com a tradição dos blocos e agremiações. Gutie ressaltou a importância de manter a identidade do festival e sua contribuição para o Carnaval.
Além de dialogar com novas gerações, o Rec-Beat enfrenta desafios comuns aos festivais independentes, como a dificuldade de atrair patrocínios em um mercado concentrado no Sudeste do Brasil.
Gutie compartilhou momentos marcantes do festival, como shows inusitados e desafios enfrentados, e destacou que o Rec-Beat continua vibrante, sempre buscando surpreender e impactar seu público.
